Curitiba - Na terça-feira, os internos do Centro de Socioeducação (Cense) São Francisco, em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, se rebelarem. Na manhã de ontem, foi a vez dos educadores sociais interromperem o trabalho por algumas horas. Os educadores de plantão, responsáveis pelo contato e segurança dos jovens, se recusaram a entrar na unidade. Eles reivindicam mais segurança e melhores condições de trabalho.
Funcionários do Cense São Francisco reclamam que o número de educadores para cuidar dos cerca de 150 jovens é insuficiente. Atualmente, cerca de 70 funcionários se revezam nos turnos de 12 horas de trabalho para 36 de folga. Para os trabalhadores, o ideal seria um educador para cada cinco adolescentes.
Além disso, muitos funcionários estão afastados do cargo por doenças como depressão, hipertensão e estresse. A tentativa de rebelião dos menores na terça-feira, quando três educadores ficaram feridos, foi o estopim da crise que, segundo educadores, estava anunciada. Eles dizem que o clima estava tenso há muito tempo.
''Aqui é uma panela de pressão velha prestes a explodir''. Assim a assistente social Gilsonia Machioro, que trabalha no Cense São Francisco há dez anos, definiu o local. Ela reclama da estrutura antiga e falta de segurança. Para a assitente, novas rebeliões com consequências mais drásticas podem acontecer a qualquer momento. Ela revela que dentro do antigo Educandário as ameaças são constantes. ''Eles estão prometendo matar algum funcionário. Não importa quem'', afirma.
Os educadores voltaram ao trabalho depois de uma reunião com o diretor do Centro, Nilson Domingues. Segundo a asssessoria da Secretaria do Estado da Criança e Juventude (Secj), dez jovens apontados como responsáveis pela rebelião, foram transferidos. O local para onde foram encaminhados não foi divulgado por motivo de segurança.
O educador Reginaldo Almeida participou da reunião. Ele resume o seu tempo de trabalho no local como ''um ano e meio de estresse''. Segundo ele, os problemas são passados diariamente para a direção, mas nada foi feito. Ele afirma que os número reduzido de funcionários impede que se cobre disciplina dos adolescentes. ''As ameaças são diárias''.
Outro educador social, Ronaldo Felipe, um dos feridos na tentativa de rebelião da terça, confirma a situação tensa do local. ''As provocações são intensas. Na terça, quiseram medir forças.'' Ele foi agredido com golpes de barra de ferro, socos e pontapés. O resultado está na cabeça: os vários pontos que levou e não quis contar.
Nilton Amaral, também agredido na tentativa de rebelião, diz que essa é a terceira vez que sofre violência de menores nos nove anos que trabalha no local. Segundo ele, as ameaças de morte são constantes. Amaral revela que só consegue dormir depois de tomar remédio. O cansaço está estampado na cara.

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