Educadores passam por treinamento
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sexta-feira, 22 de abril de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Cinco minutos. É o limite de tempo que pessoas leigas têm para conter um incêndio sozinhas, antes de se verem obrigadas a acionar os bombeiros. Parece pouco, mas em um local exposto a situações de extrema tensão, como o Educandário de Londrina, esses instantes podem fazer muita diferença. A explicação é do subcomandante do Corpo de Bombeiros, major Dario Natan Bezerra, que coordenou durante a manhã de ontem um treinamento para 40 funcionários do Educandário, rebatizado de Centro de Sócio-Educação.
Interditada em dezembro do ano passado e reinaugurada pelo governador Roberto Requião (PMDB) no último dia 13, a unidade ainda não tem data prevista para voltar a receber internos. Os funcionários, novos e antigos, estão passando por cursos de capacitação em todas as áreas que envolvem o trabalho com os adolescentes, desde a proposta pedagógica até primeiros socorros. O educador social Ricardo Peres esclarece que, embora nenhum incêndio tenha sido registrado no Educandário mesmo durante as várias rebeliões e tentativas de fuga a unidade pretende estar preparada para qualquer tipo de incidente.
''Já fizemos as mudanças recomendadas pelos bombeiros na estrutura do prédio e adquirimos os equipamentos necessários para montar uma brigada de incêndio. A preocupação é não só intervir para combater o fogo, mas proteger as vidas dos adolescentes'', afirmou Peres. Os funcionários já haviam assistido a aulas teóricas em fevereiro e, ontem, tiveram lições de uso de mangueiras e busca de pessoas e objetos em meio a fumaça, tudo por meio de simulações. Em uma delas, os participantes tiveram os olhos vendados e usaram máscaras para adentrar uma sala enfumaçada. ''São situações que podem perfeitamente ocorrer na realidade'', salientou Bezerra.
Segundo o subcomandante do Corpo de Bombeiros, o intervalo de cinco minutos como limite para atuação de leigos vale não só para incêndios como para rebeliões. ''É o tempo que se dá para não haver a propagação do problema. Depois disso, os funcionários precisam da ajuda dos bombeiros ou da polícia para conter a situação'', observa.
Para Bezerra, que já presenciou incidentes graves em unidades prisionais do Estado, o Educandário precisará ter cautela na triagem de objetos que poderão ficar em poder dos adolescentes. ''Numa unidade de Curitiba, em 1984, um fogareiro causou um incêndio que matou seis pessoas no ato. Mas a natureza é uma charada, e objetos muito mais simples podem provocar uma combustão, até uma caneta'', afirmou.


