Educadores paralisam atividades
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terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
Andréa Lombardo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Os educadores dos centros municipais de educação infantil de Curitiba entraram em greve, ontem, e estão decididos a ficar parados até que a prefeitura apresente proposta de reajuste do piso salarial. O Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba (Sismuc), que organizou a mobilização, assegura que a adesão foi de 70%. Já a prefeitura garante que, pela manhã, apenas 10% do quadro (3.817 servidores) não compareceram ao trabalho. Seis creches não tiveram atendimento, prejudicando cerca de 800 crianças. A Secretaria Municipal de Recursos Humanos já comunicou que os faltosos serão penalizados com o desconto dos dias parados.
De acordo com a diretora de Imprensa e Comunicação do Sismuc, Alessandra Cláudia de Oliveira, perto de mil educadores participaram da passeata, que saiu da Praça Santos Andrade, na Região Central, em direção à sede da prefeitura, no Centro Cívico. Uma comissão de educadores foi recebida pelo secretário de Recursos Humanos, Arnaldo Bertone, mas a conversa, segundo Alessandra, não agradou. ''Eles vieram com a mesma proposta de negociar somente na data-base, que é em março. Se for assim, os educadores só voltarão ao trabalho em março'', afirmou.
Os grevistas percorreram as creches durante a tarde na tentativa de mobilizar outros educadores. Alessandra acredita que o resultado desse trabalho seja a adesão de 90% dos servidores, hoje.
A principal reivindicação dos educadores é o aumento no piso salarial dos atuais R$ 694,83 para R$ 1.194,48. Esse, segundo Alessandra, seria o valor correspondente ao dobro do padrão dos professores que atuam no ensino fundamental e têm carga de 20 horas semanais. O Sismuc sustenta que é exigida a mesma qualificação para ambas categorias. A prefeitura contesta a informação, alegando que o requisito para ingresso na educação infantil é o magistério de nível médio e para o ensino fundamental é exigido o ensino superior.
Em nota de esclarecimento, a prefeitura informou que os educadores já tiveram reajuste acumulado de 12,36%, nos últimos dois anos (superior à inflação), e outros benefícios com o novo plano de carreira, como a implantação do adicional de 2,8% nos vencimentos pelo enquadramento.
O secretário municipal de Recursos Humanos, Arnaldo Bertone, afirmou que a greve não tem justificativa. ''São medidas que poderão ser discutidas, mas não nesse momento. A prefeitura negociou todo processo que culminou com a lei do plano de carreira e, responsavelmente, conseguiu avançar em outras questões'', disse, referindo-se ao reajuste e gratificações. ''Somos gestores do serviço público e temos que respeitar as limitações do orçamento'', acrescentou o secretário, lembrando que a data-base da categoria é em março.
A prefeitura não preparou nenhum esquema para garantir o funcionamento das creches. Antes do início da greve, Bertone havia afirmado que confiava no bom senso dos servidores em ''não cometer injustiça com a população''.
Segundo dados oficiais, são 3.817 educadores na ativa - a maioria lotada nos 159 centros municipais de educação infantil, onde são atendidas aproximadamente 24 mil crianças.


