Educação sexual será levada a 73,5 mil alunos
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segunda-feira, 15 de setembro de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Informação sobre sexo os adolescentes tem bastante. O que falta é informação mais adequada sobre sexualidade. Para aparar essa aresta, o Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina, em parceria com as secretarias municipais de Educação e de Saúde, lançou ontem o ''Programa Educação Sexual nas Escolas'' para cerca de 50 diretores e professores. O assunto, que deverá ser incluído na grade escolar no próximo ano, será desenvolvido em 35 escolas públicas a partir de outubro e vai abranger um universo de cerca de 73,5 mil estudantes com idades entre 13 e 19 anos, das redes municipal e estadual.
A coordenadora municipal sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids (DST/Aids), Rosângela Alvanhan, justificou a proposta mostrando dados preocupantes sobre o número de casos de DSTs e de aids entre estudantes na faixa etária definida pelo programa. Ao contrário do que ocorreu de 1997 a 2000, quando não foi registrado nenhum caso de Aids entre estudantes de 13 a 19 anos, entre os anos de 2001 a 2002 a Secretaria Municipal de Saúde apurou que 10 jovens nesta faixa etária testaram positivo para o vírus HIV. Deste total, sete portadores são meninas. Pesquisa feita em 2002 com dois mil alunos adolescentes apontou que 8% das meninas e 5% dos meninos já haviam sido contaminados por alguma DST.
Segundo Rosângela, os adolescentes londrinenses iniciam sua vida sexual aos 14,3 anos. E o mais grave é que a maioria não faz uso de nenhum método contraceptivo, nem mesmo o preservativo masculino. O resultado dessa falta de cuidados também é visível nas pesquisas. De cada 100 nascimentos, entre 17 e 20 bebês são filhos de mães adolescentes.
Para vencer a barreira que ainda existe entre os professores e levar a educação sexual para dentro das salas de aula, 263 profissionais de ensino já foram capacitados a discutir o assunto com seus alunos. ''A resistência existe quando não há informação suficiente'', garantiu Alvanhan.
O chefe do NRE, Rony dos Santos Alves, destacou que a sexualidade humana precisa deixar de ser tabu e passar a ser discutida com naturalidade, ''sem preconceitos''. Para ele, o ambiente escolar é ideal para reverter essa situação pois muitos adolescentes não conseguem tirar suas dúvidas com a família. Alves adiantou que a educação sexual deverá ser incluída no currículo escolar a partir do ano que vem. ''A escola tem tido dificuldade para trabalhar a questão do sexo, que dirá a questão da sexualidade'', lamentou, completando que, por isso, é importante que todos os professores se capacitem e não apenas aqueles que trabalham disciplinas mais próximas do tema.
Sidney Paduan da Silva dá aulas de sociologia para cerca de 500 alunos adolescentes em dois colégios estaduais e aprovou o programa. ''Existe um preconceito estabelecido na sociedade, que dificulta a abordagem do assunto tanto pelo aluno como pelo professor'', comentou.


