A educação sexual sempre foi um tema muito delicado na formação das crianças e adolescentes, principalmente pelo receio que as pessoas têm de cometer erros ao falar sobre o assunto. Como discutir questões como o aborto e a orientação sexual? Como ensinar uma criança a evitar abusos sexuais cometidos por adultos? Mesmo com tantas informações disponíveis na internet, o ensino do tema ainda é permeado por inúmeras dúvidas que surgem no dia a dia.
A psicóloga Mary Neide Damico Figueiró, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), ressalta que a educação sexual deve ser ministrada desde bebês. "Se os pais fazem expressões feias quando manuseiam os órgãos sexuais dos filhos estão passando uma mensagem", expõe. Ela afirma que essas mensagens podem influenciar na maneira como as crianças lidam com sua sexualidade.
"Em nosso grupo surgiu um caso em que a criança sempre puxava o pênis, tentando arrancá-lo e soubemos depois que os pais que falavam para as crianças tirarem as mãos da genitália dizendo ser nojento", relatou. A psicóloga é professora do Departamento de Psicologia Social e Institucional e desde 1995 coordena o Grupo de Estudos sobre Educação Sexual (GEES), com a participação de educadores, pais, profissionais de saúde e serviço social.
Mary Neide defende o diálogo permanente entre pais e filhos e destaca a importância da escola na educação sexual das crianças e adolescentes. Ela é a autora do livro "Educação sexual no dia a dia", que será lançado pela Editora da UEL (Eduel) e Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC) em data ainda a ser definida – provavelmente no final do mês.
A obra tem o objetivo de ajudar pais e educadores a lidar com a sexualidade na infância e adolescência de maneira prática e objetiva. Mary Neide ressalta a importância didática da obra, enquanto recurso para sanar dúvidas.. "São situações e exemplos relatados por educadores e pais. Portanto, um meio eficiente de aprender sobre educação sexual de forma simples e descontraída", salienta. Segundo ela, o destaque é para as perguntas mais básicas sobre sexualidade feitas frequentemente pelas crianças no cotidiano escolar, no ambiente familiar e instituições sociais.
Mesmo antes de ser lançada a obra já tem edição em Braille. No total foram produzidos 8 exemplares, que serão destinados a deficientes visuais da Universidade Estadual de Santa Catarina (Udesc), alunos das áreas de Pedagogia, Psicologia, Serviço Social e outros.

Erotização precoce
A psicóloga ensina que perguntas que muitos pais e professores acham embaraçosas podem ser uma ótima oportunidade para se conversar e debater o tema. "Quando uma criança vê uma cachorrinha que está prenha, os pais podem explicar o que está acontecendo para as crianças, dizendo que os cachorrinhos sairão pela vagina", orientou. Ela explicou que os pais que mentem sobre o tema acabam perdendo a confiabilidade perante seus filhos, que vão buscar as informações em outro lugar.
Mary Neide também orientou os pais a evitar a erotização precoce das crianças, explicando sempre, por exemplo, o motivo delas não poderem utilizar roupas sensuais ou de não poderem assistir determinados programas de televisão. "A escola e os pais devem contribuir ocupando o tempo das crianças com atividades saudáveis, como a leitura de um bom livro ou a exibição de bons filmes", aconselhou.
Ela ressaltou, porém, que há um determinado período da vida que um adolescente pode achar constrangedor fazer esses tipos de perguntas aos pais. Um dos motivos é eles temerem que os pais achem que a pergunta é motivada pelo desejo de fazer sexo. "Por isso é importante o papel da escola na educação sexual dessas crianças e adolescentes, pois a escola tem condições de promover o debate e as discussões entre os colegas", apontou. A psicóloga ressaltou a necessidade do Município e do Estado investirem na formação continuada desses educadores e no fornecimento de uma estrutura adequada para que esse trabalho seja feito adequadamente.

Serviço:
O livro "Educação Sexual no dia a dia´´, da da Eduel e Udesc, tem 182 páginas e estará à venda na Livraria da Eduel. O Grupo de Estudos sobre Educação Sexual (Gees) se reúnie todas as quintas-feiras de maio a novembro, dando direito a um certificado de 80 a 90 horas. Inscrições serão realizadas em abril. Informações com Mary Neide Damico Figueiró pelo (43) 8809-0297

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