Educação sexual é responsabilidade de todos
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de novembro de 2008
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Apesar de o índice de gravidez na adolescência -de 10 a 19 anos- do município de Curitiba estar abaixo da média nacional, o número ainda está longe do ideal da Organização Mundial de Saúde (OMS). Medido pelo Sistema de Informações de Nascidos Vivos (Sinasc), o índice da capital paranaense é de 15,7%. Há cinco anos, o número era 19%.
Para debater temas como esse, relacionados à adolescência e sexualidade na escola, foram discutidos ontem em um seminário envolvendo cerca de 400 profissionais de educação e saúde, pais e alunos de escolas municipais e estaduais. Parte do programa Adolescente Saúdavel, o objetivo do encontro era debater a responsabilidade da sociedade sobre a educação sexual dos adolescentes.
Para a coordenadora do programa e médica de adolescentes, Julia Valéria Ferreira Cordellini, tratar do tema no ambiente escolar não é apenas falar sobre ele, mas sim criar espaços onde os alunos possam trazer dúvidas e receber orientações sobre o auto-cuidado e cuidado com o outro. ''Sexualidade é muito mais do que a relação sexual. São manifestações de amor, afeto, tesão, entre outras. E para tratar desse assunto, não se marca hora'', explica.
Julia defende a conversa aberta, sempre com a verdade. '' Não dá para mentir ou reproduzir mitos, no entando, não pode vulgarizar'', orienta. Em casa, a melhor educação acontece com os exemplos. Na escola, deve haver abertura, mas é necessário impor limites, como defende Joel Santos Bandeira, diretor do Colégio Estadual Professora Luiza Ross. ''O professor precisa estar preparado. Ele deve agir com naturalidade, resgatar valores e colocar limites'', avalia.
Participantes do programa de protagonismo juvenil, os estudantes Jeferson Vaz da Silva, 16 anos, Suelen Cristina de Freitas Gonçalves, 12 anos, e Lucas de Freire Marcelli, 12 anos, dizem gostar de discutir sexualidade dentro da escola. ''Além das relações afetivas, sexualidade também envolve outras questões, como estupro e prostituição. Acho importante conversar sobre isso e, na escola, temos bastante debate'', defende Lucas.
Os três concordam que o tema é tratado com muita malícia pelos colegas. ''Muitos têm até medo de fazer uma pergunta porque alguém logo faz uma brincadeira. É importante que a pessoa conheça todos os riscos que envolve uma relação sexual'', defende Suelen. E ela está certa, de acordo com Julia Valéria, a proporção de adolescentes, entre 13 e 24 anos, com Aids no Brasil é de 13 meninas para cada 10 meninos.


