OPINIÃO
‘Educação reduz truculência policial’


Lino Ramos
De Londrina

O diretor da Academia de Polícia Civil do Estado de São Paulo, Tabajara Novazzi Pinto, acredita que a truculência policial pode ser diminuída pela educação. Em 97 ele implantou na academia a disciplina Direitos Humanos. Este ano, ajudou a elaborar a cartilha QSL – Quebrando Silêncios e Lendas –, que tem o objetivo de ajudar os policiais a compreender, prevenir e combater a violência contra as mulheres.
Na terça-feira à noite, Tabajara Novazzi participou em Londrina do seminário ‘‘O papel da Segurança Pública na prevenção e combate à violência contra a mulher’’, realizado no auditório do Sindicato do Comércio Varejista. ‘‘Há muita violência contra a mulher, crianças e idosos, sempre dentro de casa’’, alertou.
Na opinião do diretor da polícia paulista, é preciso mudar os conceitos herdados pela ditadura e que deram à polícia um caráter mais truculento e arbitrário. Até agora cerca de mil policiais (de um universo de 35 mil policiais civis em São Paulo) receberam noções sobre Direitos Humanos.
Segundo Tabajara Pinto, os policiais que estão há tempos na profissão também precisam de cursos de recapacitação. ‘‘É difícil para o policial entender os conceitos de direitos humanos, grande parte não entende porque não conhece. Isso também serve para a questão de gênero. O policial é obrigado a estar alerta o tempo todo. Para aceitar um determinado tema, ele precisa ser convencido’’.
Para que haja essa mudança de perfil, o diretor da Polícia Civil de São Paulo entende que é preciso encurtar a distância entre a sociedade e as instituições policiais. ‘‘Como a sociedade também considera a polícia truculenta, existe esse distanciamento que pode ser anulado pela educação formal. Se houver compromisso com uma sociedade igualitária, é possível encurtar essa distância’’.
Discípulo de Paulo Freire, Tabajara Novazzi Pinto acredita que a sociedade poderá ser mudada pela educação. Há cinco anos na direção da Academia de Polícia Civil de São Paulo, ele reconhece que implantar uma nova filosofia no meio policial não será tarefa fácil. ‘‘É um trabalho lento que corre o risco com a mudança de governo. É até meio utópico, mas a utopia faz a gente caminhar’’. Em 98 Novazzi recebeu a medalha brasileira dos Direitos Humanos pela iniciativa de implantar a disciplina Direitos Humanos na área policial.

NÚMEROS
O Centro de Atendimento à Mulher (CAM) registra mensalmente 50 novos casos de violência contra a mulher. No ano passado a média era de 35 casos por mês. 68% das agressõe ocorrem no ambiente familiar.
- Queixas de violência psicológica: 68%
- Registros de violência física: 24%
- Ocorrências de violência sexual: 03%
- Registros de violência social 03%
- Outros tipos de agressões: 02%
Uma das mulheres atendidas pelo CAM, acabou morrendo este ano. Quando a violência é contra a criança, quem mais sofre agressão física e sexual é a menina.

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