Há seis anos, o déficit de vagas em centros de educação infantil (CEI) de Londrina seria de cerca de 12 mil. Em abril deste ano, este número foi revisto pela Secretaria Municipal de Educação e caiu para pouco mais de 3,7 mil. Agora, um novo levantamento está sendo feito e os primeiros dados apontam que, de fato, um total aproximado de 1,5 mil crianças de zero a seis anos não estariam frequentando creches. Depois de identificar a carência de vagas em CEIs, o projeto ''Crianças Nascem Para Brilhar'', uma parceria da iniciativa privada com a Promotoria da Vara da Infância e Juventude, quer criar mecanismos para incluir mais crianças no ensino infantil e imprimir mais qualidade no atendimento.
A coordenadora do projeto, Sandra Bampi, que já implantou proposta semelhante em Rolândia e conseguiu ampliar o número de crianças atendidas, e melhorar a prestação do serviço, explica que o levantamento real do déficit visa acabar com a carência de informações existente atualmente. Após visitas a 33 CEIs filantrópicos verificou-se que entre 20% e 30% das crianças que estavam na lista de espera não necessitavam mais de vagas. A estimativa é que o déficit real deve ficar em torno de 50% do que se imaginava.
A estagiária do Núcleo da Infância e Juventude do Ministério Público que coordenou esse trabalho, Vanessa Coelho, identificou que entre as causas dessa diferença, as principais foram que muitas famílias haviam se mudado, conseguido vaga em outro centro ou as crianças já haviam ultrapassado a idade limite para frequentar creche.
Sandra, que também é gerente de responsabilidade social da Big Frango, aponta que já para o ano que vem será possível identificar as carências de cada centro. ''A idéia não é construir novos centros de educação mas investir nos já existentes para que possam oferecer mais vagas'', observa. Para tanto, continua a coordenadora do projeto, o ideal seria unificar e centralizar a lista de espera em um único espaço. A partir disso, as matrículas seriam efetivadas de forma a atender as demandas específicas de cada família.
Para que mais vagas sejam abertas, o projeto precisa do apoio de empresas. O presidente da Big Frango, Evaldo Ulinski, encampou a idéia em Rolândia e participa também da iniciativa em Londrina, garantindo semanalmente carne de frango a mais de 5,2 mil crianças. ''Estando com a barriguinha cheia, o aprendizado acontece mais fácil'', comenta. Ele lembra que os empresários cujos funcionários precisam de creches para os filhos serão procurados para que também exerçam suas responsabilidades sociais. ''Temos como resolver esse problema. Não fazemos conta de quanto estamos doando. Estamos fazendo nossa parte, devolvendo à sociedade o que ela nos dá comprando nossos produtos'', analisa Ulinski.
A CEI Antônio Augusto Faria, no Jardim Leonor (Zona Oeste) atende 200 crianças. A diretora Adélia Luiz Ioshijiro ressalta que garantir alimentação é difícil porque a região é carente e não pode contribuir com frequência. ''Essa ajuda veio em ótima hora'', agradece a ''tia'' Adélia, que recebe 144 kg de carne de frango todo mês.
O projeto ampliou o atendimento a cinco entidades que não são creches mas que também trabalham na valorização da infância e juventude. A assistente social do Núcleo Social Evangélico de Londrina (Nuselon), Andréia Mansano Ramos, trabalha com crianças e adolescentes que vivem em abrigamento provisório e diz que a ajuda reforçou a alimentação dos seus 40 ''filhos''. ''Crianças precisam da proteína da carne para se desenvolverem e essa doação só veio nos ajudar porque as que atendemos só se alimentam aqui'', destaca. ''Aqui não falta nada'', garante uma adolescente de 15 anos que vive no Nuselon com o filho de um ano e cinco meses.

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