Educação inclusiva na prática
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de julho de 2012
Érika Gonçalves <br>Reportagem Local 
Vinícius Vitorello é um adolescente de 14 anos e estuda no 9º ano da Escola Estadual Maria José Balzanelo Aguilera, em Londrina, e ainda está pensando em qual curso técnico irá se inscrever no final do ano. Com boas notas, é elogiado pelos professores e no intervalo aproveita para conversar com um primo, que também é colega de sala de aula e parceiro dos trabalhos escolares.
O que diferencia Vinícius dos seus colegas de sala é o fato de ser cadeirante e ter dificuldades para escrever, por isso precisa de uma professora de apoio permanente, que o ajuda a copiar para o caderno as tarefas e conteúdo das aulas.
Estudar em uma escola comum com um professor auxiliar só se tornou possível com a política de educação inclusiva, que busca levar para as escolas regulares todas as crianças e adolescentes, independentemente da dificuldade ou deficiência.
''Apenas passo para o papel o que ele não consegue, já que escreve um pouco mais lento. Todas as respostas dos exercícios e das provas são dele'', conta a professora de apoio Fernanda Cristiane Dias. Valdineia Beloni Vitorello, mãe de Vinícius, conta que o menino nasceu prematuro e por falta de oxigênio ficou com sequelas. ''Nem sempre ele teve o professor de apoio, mas os colegas de sala ou o próprio professor ajudavam a copiar os conteúdos.''
Na mesma escola, mas em uma sala do 1º ano do Ensino Médio, a jovem Aline Zati, de 19 anos, também se esforça para acompanhar as aulas com seus colegas. Assim como Vinícius, também houve falta de oxigênio na hora do parto e ela ficou com sequelas mentais.
''Ela consegue aprender, mas no tempo dela, que é um pouco mais lento do que o dos outros alunos. Ela é bem determinada, se tem uma tarefa para fazer vai até o final, nem preciso mandar estudar'', diz a mãe, a diarista Ariane Zati. Duas vezes por semana Aline frequenta a sala de recursos multifuncionais, onde um professor trabalha atividades cognitivas, de memória e raciocínio que facilitem o aprendizado da jovem.
Mariangela Volpini, professora da sala de recursos, explica que as atividades permitem avaliar como a criança aprende. As informaçõe levantadas determinam a metodologia de ensino para o aluno, além de orientar os professores. ''Dependendo de cada caso é necessário fazer adaptações nas tarefas e provas'', explica a professora.
Tainá Maciel da Cunha, de 15 anos, convive com Aline desde a infância, quando a auxiliava na sala especial. ''Ela tenta fazer o seu melhor e faz ótimos trabalhos sozinha. Como em qualquer lugar tem gente que discrimina, não quer fazer trabalho junto, tanto que já excedemos o número de alunos em um grupo uma vez para incluí-la, porque ninguém queria ficar com ela, mas isso é bobagem.'' Mariangela ressalta que quando as crianças convivem desde cedo com o diferente, se torna mais fácil aceitar.


