Problemas de lotação e falta de estrutura adequada. Mesmo com todas essas dificultadades, o Hospital da Zona Sul (HZS) tem conseguido melhorar o relacionamento entre funcionários e pacientes, que aprovam os serviços prestados pelos médicos, enfermeiras, auxiliares de enfermagem, faxineiros, toda equipe do hospital. Essa aprovação se deve, em grande parte, ao programa ''Humanizar é preciso'' implantado no HZS há um ano.
O programa tem proporcionado aos funcionários acesso a formação e informações que refletem positivamente no atendimento aos pacientes. Segundo o diretor administrativo da instituição, Elzo Carreri, o programa é dividido em vários sub-projetos na área de educação, psicologia e informática. ''A qualificação do profissional possibilita um melhor relacionamento paciente-hospital'', comenta.
O sub-projeto Reforço Escolar já apresenta resultados neste primeiro ano de atividade. Segundo uma das coordenadoras do programa e chefe do Departamento Pessoal do HZS, Sônia Rocha, quase a metade dos funcionários de serviços gerais eram semi-alfabetizados. Até outubro, quase todos esses profissionais terão concluído o Ensino Fundamental.
Para participar do programa, o funcionário que se matriculou no supletivo foi liberado do serviço por uma hora ao dia para receber o reforço escolar dentro do hospital. O reforço é dado, de forma voluntária, pelos próprios colegas de trabalho que têm formação mais completa. ''A gente percebe que os funcionários que passaram pelo reforço melhoram sua auto-estima e auto-confiança. Muitos não tinham condições nem mesmo de ler corretamente uma dieta prescrita por um médico ao paciente'', aponta Sônia.
A auxiliar de serviços gerais Eli Donato, que trabalha no HZS há cinco anos, afirma que graças ao programa conseguiu concluir o 1º grau. ''As aulas de reforço no hospital foram muito importantes. Tinha muitas dificuldades em língua portuguesa e matemática. Agora quero fazer o 2º grau'', afirma. Eli diz que ter voltado a estudar ajudou tanto sua atividade dentro do hospital como fora do trabalho. ''Melhorou tudo na minha vida depois que voltei a estudar, principalmente a relação com as outras pessoas'', explica.
O sub-projeto de Informática também busca proporcionar aos funcionários formação básica na operação de computadores. Segundo Carrieri, os funcionários se reuniram e promoveram uma rifa para comprar um computador para ser utilizado nas aulas. ''Já temos uma fila enorme de funcionários interessados em participar do curso'', diz.
O relacionamento interpessoal dentro da instituição também é um dos focos do programa. Para isso, a equipe conta com o trabalho voluntário de uma psicóloga que ministra dinâmicas de grupo. Outra medida nesse sentido é o café executivo, que reúne todos os funcionários e a diretoria do HZS. ''Trabalhamos num ambiente onde o estresse é constante. E no café da manhã temos chance de falar sobre nossos problemas, amenidades e mesmo ver colegas que trabalham em horários diferentes'', comenta uma das coordenadoras do programa, Maura Silveira.
O resultado deste primeiro ano foi aprovado pelos pacientes do HZS. A dona-de-casa Lucivânia da Silva Oliveira, que passou por uma cirurgia anteontem, afirma estar satisfeita com o atendimento do hospital. ''Os enfermeiros são muito atenciosos. Antes mesmo de precisar da cirurgia, meu filho era atendido aqui, e nunca tive problemas'', afirma.
A auxiliar administrativa Marina Isabel Martins, que passou por uma laparoscopia na visícula, também diz estar satisfeita com o atendimento no HZS. ''Precisei do hospital em 1997, naquela época ainda não tinha passado por ampliação. Agora está ótimo, o atendimento é dez'', diz.

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