Educação garantiu um futuro diferente
Depois de onze filhos, Geralda Rocha teve de renovar as forças para criar o neto Adão, após a morte da filha. ''O pai dele havia falecido um ano antes e, então, a mãe ficou doente. Ele estava com seis anos quando tudo aconteceu.''
Apesar do início doloroso de vida, a avó garante que ele nunca deu trabalho. ''Esse menino sempre foi tranquilo e obediente. Ele era um ótimo aluno, mas eu sempre dizia: 'Meu filho, nunca deixa de estudar. Você não vai estar fazendo isso por mim, mas por você mesmo.' Hoje ele me agradece e vê que eu tinha razão.''
Moradora da Vila Marízia, dona Geralda diz que teve que driblar a realidade dura do local para que seu neto seguisse o caminho correto. ''Vários colegas de quando ele era menor já morreram. Antigamente a criação dos filhos era mais fácil; não havia tanta criminalidade. Sempre conversei e aconselhei muito meu neto para que ele tivesse um futuro diferente'', revela.
E a vida dele tomou mesmo um rumo diferente. Atento aos cursos e estágios disponíveis na cidade, começou a trabalhar como menor aprendiz. Assim que terminou os estudos, passou no vestibular, ganhou uma bolsa e se formou como melhor aluno do curso de Sistemas de Informação. ''Fui entregar o prêmio a ele no dia da formatura. Foi o dia mais emocionante da minha vida.'' Aos 22 anos, Adão trabalha em uma empresa de desenvolvimento de sistemas e já foi aprovado num mestrado que começa no ano que vem. ''Ele é o meu orgulho'', diz a avó, emocionada. (M.T.)





