Educação física pode ajudar na alfabetização de especiais
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terça-feira, 28 de agosto de 2001
Chiara Papali<BR>De Londrina 
Aliar atividades físicas e cognitivas, ligadas à leitura e escrita. É a proposta do professor de educação física e mestre em educação especial Nilton Munhóz Gomes (foto), para estimular a alfabetização de alunos com deficiência mental. Autor do livro ''Atividades Recreativas, alfabetização e deficiência mental'', ele ministrou palestra ontem em Londrina, nas comemorações da Semana Nacional do Deficiente.
O livro demonstra como é possível conciliar as aulas de educação física com atividades de leitura e escrita. Apresenta também exemplos de recreações, que estimulam as crianças a identificar letras ou palavras. Uma delas é o jogo de futebol adaptado para dois alunos - quando um faz o gol, o outro sorteia uma figura e identifica no mural a palavra correspondente, para continuar jogando.
Gomes explica que durante a pesquisa, feita em 1999, na Associação de Pais e Amigos de Excepcionais (Apae) de Londrina, o resultado foi animador. Das 13 crianças que participaram do projeto, oito terminaram alfabetizadas e cinco no estágio anterior, silábico-alfabético. ''Como as crianças gostam muito das aulas de educação física, ficaram mais atentas e motivadas para a alfabetização na sala de aula. Por isso acredito que o método também possa ser aplicado na escola regular'', diz.
A terapeuta ocupacional Denise Ramalho de Paiva Barro, que também ministrou palestra em Londrina e abordou um tema ainda novo no Brasil - a Técnica de Integração Sensorial. Denise explica que problemas em crianças, deficientes ou não, como hiperatividade e dificuldade de aprendizagem ou adaptação na escola, podem ter origem na reação aos estímulos sensoriais, diferentemente dos diagnósticos mais comuns (problemas psicológicos ou motores).
Ela cita como exemplo crianças hipersensíveis a estímulos táteis e ao movimento. ''Os sintomas clássicos são crianças que choram, ficam tontas e irritadas, ao menor toque ou movimento. A reação contrária também tem que ser observada: crianças que trombam demais nos móveis e brincam horas girando. Não quer dizer que todas vão precisar de terapia, apenas quando interferir nas atividades cotidianas, como na hora de trocar de roupa, andar de bicicleta, nas atividades escolares'', salienta.
- Serviço: O livro ''Atividades Recreativas, Alfabetização e Deficiência Mental'', de Nilton Munhóz Gomes, custa R$ 10,00 e pode ser encontrado na Apae de Londrina, telefone (43) 337-5924.


