Educação física no picadeiro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de outubro de 2015
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local
Ibiporã - "Uma pirueta/duas piruetas/bravo, bravo. Superpiruetas/ultrapiruetas/bravo, bravo". Assim começa a música "Piruetas", de Chico Buarque, que retrata um pouco do cotidiano de um circo. Mas esses versos também poderiam se referir às aulas de educação física que alunos da rede municipal de educação de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina) estão vivenciando. A reportagem acompanhou as oficinas de técnicas circenses ministradas por meio de parceria com o curso técnico gratuito de Arte Circense do Centro Educacional Marista Irmão Acácio, de Londrina. Se no circo o palco fica embaixo de uma lona, na escola esses aspirantes a artistas de circo transformaram a quadra de esportes em um grande picadeiro.
Foram cambalhotas em série, formação de pirâmides humanas, claves ao alto manejadas pelos malabaristas mirins e muita diversão. Houve quem preferisse equilibrar um prato sobre uma vareta. Outras crianças se esforçaram para a prática de malabarismo com bolas feitas de painço dentro de bexigas ou com o swing poi, uma espécie de cabo com fitas na ponta para fazer movimentos espirais e circulares ao redor do corpo. Mais do que uma simples atividade física, era possível escutar risadas das crianças se divertindo com tudo isso.
O instrumento preferido de Paulo Henrique Gomes de Lima, de 9 anos, aluno do 4º ano da Escola Municipal Professora Aldivina Moreira de Paula, foi o diabolô (uma espécie de ioiô), um brinquedo antigo, originário da China, composto por duas semiesferas unidas invertidas, que devem ser movimentadas e equilibradas por um cordão acionado por duas baquetas. "Achei divertido brincar com isso porque é parecido com o ioiô. Precisei de uma ajudinha para aprender, mas o mais difícil foi jogar para o alto. É melhor do que jogar basquete ou futebol. A gente se diverte mais, é mais alegre", relatou.
Segundo Cláudia Regiane Arcanjo Guandalini, assessora de educação física da Secretaria de Educação de Ibiporã, as crianças de hoje não brincam mais como as de antigamente. "O brincar é muito importante na fase de desenvolvimento da criança e a arte circense está aí para ajudar a gente a incentivar as crianças a se movimentar e se divertir, ao mesmo tempo que elas adquirem habilidades motoras e lateralidade (compreensão corporal de localização)", relatou.
De acordo com Luiz Fernando da Silva, coordenador pedagógico dos cursos técnicos do Centro Educacional Marista Irmão Acácio, além da questão de saúde, as atividades trabalham a questão do respeito ao próximo e o fortalecimento de vínculos. "A gente trabalha muito o respeito à cidadania. Além de formar um profissional de circo, formamos um sujeito integral", destacou.
A evolução das crianças é bastante perceptível. A secretária de Educação de Ibiporã, Maria Margareth Rodrigues Colognesi, percebeu uma grande melhora na relação das crianças com os colegas e com os adultos. "Existe uma disciplina melhor, uma organização delas no espaço escolar. Esse clima de respeito dos valores e da cultura elas aprenderam de forma lúdica", apontou. Este ano apenas seis das 15 escolas foram atendidas pelo projeto, mas a secretária garante que no ano que vem o projeto deve ser ampliado.
Eduarda Amanda Rodrigues Martins, de 16 anos, foi uma das pessoas que orientou os pequenos artistas de circo das escolas municipais. Ela está há sete meses no curso técnico e há cinco anos no Marista. "A rotina circense é bem diferente e bem melhor que estar em casa ou estar na rua. Antes de entrar no curso, eu dormia o tempo todo. O circo me tirou do sedentarismo", destacou.