''Esta é a história de uma serpente que desceu do morro para procurar o pedacinho do seu rabo. Ei, você? É um pedaço do meu rabo?''. Organizadas em fila, crianças da Educação Infantil 6 (EI6) da Escola Municipal Eurides Cunha rastejam sob as pernas dos coleguinhas para completar o rabo da serpente. ''Onde é que precisa segurar para a serpente não quebrar?'', pergunta a professora de Educação Física Lucilene Silvana Fernandes Rodrigues. E elas respondem em coro: ''na cintura''. Em seguida, as crianças formam um círculo e cantam ''Atirei o pau no gato'' e ''Ciranda, cirandinha''. A aula termina com as brincadeiras do ''lenço atrás'', ''careca e cabeludo'' e ''vivo ou morto''. Na Escola Municipal Professor Moacyr Teixeira, corda e o jogo de amarelinha são utilizados para que os alunos entendam a diferença entre as habilidades motoras saltar e saltitar.
Com a implantação este ano do Ensino Fundamental de nove anos na rede municipal, os professores de Educação Física estão sendo desafiados a trabalhar a disciplina com alunos da EI6, que abrange a faixa etária dos cinco, seis anos. ''Frequentar a escola é uma situação nova para a maioria delas, e para lidar com a imaturidade própria da idade precisamos mantê-los em atividade o tempo todo para que não se dispersem'', afirma a professora Lucilene.
Mesmo trabalhando de forma lúdica, os alunos não devem acreditar que a aula de Educação Física é apenas uma hora de lazer ou recreação, mas que é uma disciplina como as outras, repleta de conhecimentos que poderão trazer muitos benefícios se inseridos no cotidiano. ''Agora não é hora do recreio. É hora de estudar!'', lembra a professora na hora de chamar a atenção de uma duplinha que insistia em conversar durante a aula.
De acordo com a assessora pedagógica de Educação Física da secretaria municipal de Educação, Dilza Radigonda Razente, a proposta pedagógica das aulas de Educação Física para os alunos da EI6 objetiva desenvolver as capacidades perceptivas motoras, físicas, tais como lateralidade, coordenação, equilíbrio e força e desenvolver a expressão corporal e rítmica das crianças. ''Por meio de vivências, jogos e brincadeiras elas trabalham a imagem corporal e conhecem as suas potencialidades'', explica Dilza.
''Os professores precisam favorecer experiências adequadas para que ocorra a diversificação das habilidades motoras básicas adquiridas durante a primeira infância'', salienta a doutora em Biodinâmica do Movimento Humano, Inara Marques, que no final de abril ministrou a palestra ''Desenvolvimento motor em crianças de 5, 6 anos'' aos professores de Educação Física da rede municipal durante curso de formação continuada.

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