O ensino de educação física nas escolas brasileiras está deixando de lado a meta da formação de atletas para enfatizar a formação de cidadãos. Surgida na Europa nos anos 80, essa tendência ganha cada vez mais espaço no currículo de universidades e escolas públicas e privadas do País.
‘‘A educação física tradicional visa mais a técnica, o rendimento físico. Essa nova concepção busca a educação global do aluno, sua consciência de corpo, sua socialização e a consciência da realidade do País em que ele vive. Deixa-se um pouco de lado o físico para se pensar mais na educação’’, explica Ademir De Marco, professor da Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas (SP). A universidade paulista foi a precursora da nova técnica no Brasil, em 1989.
As mudanças no ensino de educação física estão sendo discutidas em dois eventos simultâneos, realizados no Hotel Bourbon, em Foz do Iguaçu: o 1º Congresso Latino-Americano e o 2º Congresso Brasileiro de Educação Motora. Iniciados na última sexta-feira, os eventos serão encerrados hoje. O nome ‘‘educação motora’’ já integra a nova mentalidade, baseada na Ciência da Motricidade Humana.
Os dois congressos reúnem 450 participantes, entre professores, estudantes e técnicos da área, de todos os Estados brasileiros, além de países da América Latina. ‘‘Essas pessoas vão difundir a inversão na ênfase na prática de educação física nos lugares onde atuam’’, afirma De Marco. Estão sendo apresentados 80 trabalhos que apontam as vantagens da ‘‘educação motora’’ sobre a educação física.
A principal estrela dos dois congressos, promovidos pelo Departamento de Educação Motora da Unicamp, é o professor francês Pierre Parlebas, um dos introdutores dessa nova corrente. Ele foi um dos palestrantes do encontro.

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