Tímida mas bastante risonha, Tereza Farias da Silva, 62 anos, aprendeu a escrever o nome aos 29 anos, incentivada por um político que queria que ela tirasse o título de eleitor. ''Meu pai não queria que eu fosse para a escola, então fiquei na roça a vida toda'', recorda Tereza, que diferente do pai, alfabetizou os cinco filhos.
E foi só depois de muita insistência da professora que ela decidiu frequentar algumas aulas. ''Gosto da aula, mas por falta de tempo, só vou quando dá'', diz Tereza, que hoje já sabe escrever mais que o nome e lê quase tudo, ainda que com dificuldade. Ela conta que agora consegue participar da missa, seguindo os cânticos no folheto. ''Leio quietinha, para mim.''
Correndo atrás do tempo perdido, a dona de casa Maria Luiza Beraldi Godoy, 56, também finalizou as aulas de alfabetização em Santa Cecília e pretende concluir o Ensino Médio para ingressar na universidade. Ela quer estudar Matemática. ''Parei de estudar no segundo ano para trabalhar no sítio do meu pai, mas já sabia ler.'' Viúva, ela decidiu voltar a estudar aos 55 anos, incentivada pela família. ''Foi um modo de ocupar o espaço vazio e fez toda a diferença.''
Perseverante, Aguinaldo Bento da Silva, 31, voltou a estudar depois dos 20 anos. Ele precisou abandonar a escola na quinta série para trabalhar no campo, mas depois de terminar o Ensino Médio no supletivo, ingressou num curso de mecânica, um sonho antigo. Hoje ele trabalha como instrutor da Apae local e pretende prestar vestibular para História.
Depois de conseguir o diploma, ele pôde prestar concurso, tirar carteira de motorista e até mudou de profissão, trocando o dia a dia duro da roça pelas oito horas ensinando crianças a cultivar uma horta. ''Hoje, sei que se alguém não tem estudo não consegue trabalho. Ainda tenho muitos sonhos'', comenta o instrutor, que incentiva os filhos pequenos a irem para a escola. ''Educação faz diferença em tudo.''(M.G.)

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