EDUCAÇÃO Espanhol ainda não desbancou o inglês
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quinta-feira, 31 de agosto de 2006
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Faltando pouco mais de três meses para o término do ano letivo, nenhuma escola estadual de Londrina cumpriu, até agora, a lei que obriga a inclusão do ensino de língua espanhola na grade curricular, durante o horário regular das aulas. Londrina não é exceção: de acordo com a Secretaria de Estado de Educação (Seed), apenas 110 escolas paranaenses se adequaram à exigência.
A Lei 11.161, sancionada em agosto do ano passado, obriga as escolas de ensino médio a ofertarem a língua espanhola, mas dá ao aluno a opção de se matricular ou não na disciplina. Ou seja, o estudante só é obrigado a estudar espanhol caso a escola não disponha de outra língua estrangeira em sua grade. Vale ressaltar que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9.394/96) estabelece como obrigatória a inclusão de pelo menos uma língua estrangeira no currículo, mas não determina o idioma. Já as escolas particulares, segundo a lei, têm a opção de oferecer a língua tanto por aulas convencionais quanto através de matrícula em cursos e centros de estudo de línguas.
A inclusão do espanhol no ensino fundamental, porém, é facultativa, o que significa que os estudantes podem acabar tendo a disciplina apenas nos três anos letivos do 2º grau. ''Quanto de espanhol se aprende nesse tempo?'', questiona a professora Telma Nunes Gimenez, docente de língua inglesa e prática de ensino na Universidade Estadual de Londrina (UEL).
A professora lembra que o conhecimento de uma língua estrangeira funciona hoje como uma espécie de filtro de seleção profissional, e que, em diversos países, a disciplina é lecionada inclusive nos cursos de graduação o que justificaria a adoção de políticas que priorizassem a qualidade do ensino em detrimento de outras questões.
''Não existe uma política muito clara de ensino de línguas no Brasil'', avalia a professora, citando a existência hoje de projetos de lei que vão desde a abolição da crase à restrições ao uso de estrangeirismos. Ela questiona, então, o objetivo real dessa lei. ''Se fosse para ter relação com a identidade cultural, ainda assim o inglês norte-americano estaria mais de acordo com a realidade brasileira'', avalia.
Na época da sanção da lei, há um ano, o governo federal acenou para a possibilidade de converter parte da dívida brasileira com a Espanha em recursos para a formação e capacitação de professores de espanhol. A referida dívida é de cerca de R$ 25 milhões. A professora, porém, diz não acreditar que o motivo seja esse. ''Falta pensar estrategicamente. Não há um planejamento, ninguém quer assumir uma posição ou responsabilidade. Eu acho que essa atitude revela um descomprometimento com a formação em língua estrangeira.''
Além das dúvidas levantadas em relação à própria lei, a Associação dos Professores de Línguas Estrangeiras do Paraná (Apliepar), sediada em Londrina, questiona o tratamento privilegiado destinado ao ensino de espanhol. ''São quase 40 anos de ensino de inglês sem nenhum privilégio. Não estamos questionando o investimento governamental em material didático e formação de professores em língua espanhola. Mas queremos isonomia de tratamento'', afirma Samantha Ramos, presidente da Apliepar.


