Educação é a saída para países pobres
Rubens Burigo Neto
De Curitiba
O sociólogo italiano Domenico de Masi afirmou ontem, em Curitiba, que os países em desenvolvimento devem investir mais em educação para que, assim, possam redistribuir o trabalho, a riqueza, o poder e o saber. A crise cultural só pode ser contornada com altos investimentos em educação, que é o setor mais produtivo da sociedade. Porque continuar investindo dinheiro, por exemplo, nas áreas militares, que não têm serventia nenhuma, questionou.
De Masi afirmou que o problema é semelhante em todos os países, onde a distribuição de trabalho, riqueza e saber é diferente para ricos e pobres.
Ele acredita que esta redistribuição pode levar a sociedade a reorganizar a quantidade de tempo gasto no trabalho, no estudo e no tempo livre. A educação não deve apenas preparar os jovens para o trabalho. É preciso prepará-los também para a vida social, justificou.
Professor titular de Sociologia da Universidade Lapienza, de Roma, de Masi ficou conhecido internacionalmente por defender o ócio criativo. Na visão dele, a utilização bem organizada do tempo livre pelos seres humanos pode ser o início da descoberta de uma terceira via entre o capitalismo e o comunismo, sistemas políticos e econômicos que ele considera incompletos e com falhas. O sociólogo esteve em Curitiba para participar da Semana de Estudos Pedagógigos, promovida pela Secretaria Municipal da Educação. Ontem de Masi falou para um platéia de quase 8 mil professores e diretores da rede municipal de ensino.
De Masi afirmou que o Brasil é o País mais bem preparado para o desenvolvimento de projetos para ocupação de tempo livre. Imagine se toda esta organização utilizada para preparar o Carnaval fosse levada para outras áreas, argumentou. Ele salientou que é preciso dar mais atenção e melhorar sensivelmente a remuneração dos professores. Eles são cruciais para o desenvolvimento da sociedade por que são o elo de ligação entre o passado e o futuro.
Para o sociólogo, a diferença cultural entre as pessoas que têm ou não acesso à educação influencia diretamente na formação política e econômica das nações. O professor tem que formar a criatividade em equipe, desenvolvendo a capacidade inventiva e o senso de criação nos alunos, para que eles tenham o discernimento de fazer essa reorganização e tornar o mundo mais justo.Opinião é do sociólogo italiano Domenico de Masi, que esteve ontem em Curitiba fazendo uma palestra para 8 mil educadores
José SuassunaPENSANDO NO FUTURODomenico de Masi diz que jovens devem ser preparados tanto para o trabalho, como para a vida social





