Educação dos filhos atormenta os pais
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de outubro de 1998
Adriana Ribeiro 
Ter filhos é um dos objetivos da maioria dos casais ou de mulheres solteiras que preferem as produções independentes. Mas como criar e educar bem uma criança nos tempos de hoje, quando homens e mulheres ficam boa parte do dia trabalhando e longe de casa?
A dúvida não encontra muitas alternativas, e a saída tem sido deixar os filhos com babás ou em creches e escolinhas, que cada vez assumem a responsabilidade de educar e não apenas instruir as crianças.
O assunto divide a opinião dos especialistas. Leda Fischer Bernardino, presidente da Associação Psicanalítica de Curitiba, diz que a tarefa não é fácil. Em outras épocas, cabia aos pais o principal papel na transmissão dos valores básicos da cultura. Dificilmente um filho arriscaria colocar em dúvida a palavra dos pais ou o poder que a sustentava, comenta.
Mas, segundo a psicanalista, a partir da década de 60, com várias mudanças econômicas e sociais, tudo se transformou. A entrada da mulher no mercado de trabalho, alterações no valor da autoridade na família e na escola e a ascensão da televisão como um veículo transmissor de valores fizeram surgir questionamentos na noção de lei entre pais e filhos.
O psicanalista Léo Cardon, tem outra opinião. Ele diz que a aproximação dos filhos com os pais e sobre quem deve substitui-los nos horários de trabalho não são preocupações da vida moderna. O trabalho feminino sempre existiu. No século 18, por exemplo, as crianças eram enroladas em faixas e penduradas em pregos para que as mulheres pudessem trabalhar, conta.
Hoje, com pais e mães ausentes, as funções de cada uma deles acabam se confundindo. Nesse caso, o que acontece é que os pais se culpam por não estarem presentes, junto dos filhos o suficiente, e acham que não estão cumprindo seu papel a contento, diz a psicanalista. Nesse contexto, ela afirma que fica difícil colocar limites, impor tarefas e regras claras.
Leda Fischer explica que educar significa saber dizer não. Segundo ela, estabelecer regras para o convívio em sociedade faz com que a criança aprenda conhecer a diferença entre o pensamento dele e do colega, o desejo dele e o desejo do outro.
O psicanalista Léo Cardon também acha que os pequenos precisam que alguém tenha poder sobre eles, mas garante que é muito importante os pais saberem ouvi-los.
A pediatra Gabriela de Carvalho Kraemer teve que refazer sua agenda depois que o filho Leandro, 2 anos, chegou. Trabalhando o dia todo, ela costuma almoçar em casa para ficar mais perto do garoto, que hoje fica aos cuidados da secretária da casa.
Mas no ano que vem, Leandro irá pela primeira vez para a escolinha. No começo ficava muito preocupada se ele estava sendo bem cuidado, mas hoje fico mais tranquila porque sei que os dois se dão bem, conta. Gabriela diz que Leandro não assiste televisão e gosta de livrinhos coloridos, o que para ela é um bom sinal.


