Educação digna e inclusiva
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terça-feira, 29 de outubro de 2013
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Londrina - Um auditório cheio e com interesses em comum. Ontem de manhã, cerca de 300 pais de alunos, professores e representantes de instituições de ensino estiveram reunidos no Cine Teatro Com-Tour, na zona oeste, durante o 3º Seminário "Inclusão com Dignidade" que este ano teve como tema "Incluir ou Excluir".
O objetivo foi debater os rumos da inclusão da pessoa com deficiência nas escolas especiais e comuns, nas esferas nacional, estadual e municipal. Além disso, levar a sociedade à reflexão sobre os processos de inclusão principalmente em relação às diretrizes e metas do novo Plano Nacional de Educação (PNE).
O evento foi promovido por uma comissão de escolas que trabalham com educação especial, além da APP-Sindicato Núcleo Londrina, Secretaria Municipal de Educação e Núcleo Regional de Educação de Londrina.
"A gente vê que as políticas de acessibilidade para o aluno ou pessoa com deficiência têm andando muito vagarosamente desde o primeiro seminário, em 2008. Tanto no sentido de dar condições para que esse aluno vá à escola quanto na oferta de um atendimento com qualidade", comenta Edmundo Silva Novaes, secretário de Gênero e Igualdade Racial da APP-Sindicato em Londrina.
Para ele, é preciso haver uma capacitação geral dos professores, pois são comuns casos de alunos com deficiência auditiva ou baixa acuidade visual na sala de aula cujos problemas só são percebidos pelo professores após vários meses de aula. "Não temos nem o básico, que é o piso tátil em todas as calçadas em torno das escolas. Tem muitos professores que não têm qualificação técnica para atender uma pessoa com deficiência. Quando há professores de apoio, na maioria dos casos, os pais tiveram que se fazer valer do Ministério Público, ou seja, lutando para que o filho ou filha tenha o atendimento adequado. O processo não pode ser assim. Tem que ser natural e para isso a escola tem que estar preparada", completa.
A diretora Ivone Gomes da Rocha Galdino, do Instituto Roberto Miranda (escola de educação básica na modalidade educação especial na área de deficiência visual), desabafa que "ainda é um problema para a rede pública receber uma pessoa com deficiência, seja leve ou severa". Mas ela acredita em avanços. "Esse encontro já é um passo por oportunizar a troca entre as instituições, principalmente no que diz respeito às situações do dia a dia."
Quem também acompanhou de perto os debates foi a dona de casa Maria Cecília Cardoso Batina, de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina. "Tenho uma filha com uma deficiência severa e como ela nasceu em 1987, anterior à Constituição Federal e à Declaração de Salamanca, acompanhei todo o processo da inclusão escolar. A gente vem discutindo escola para todos, escola universal, escola comum e vejo que realmente se começou a capacitar e preparar os professores para receber alunos com deficiência", salienta.
Porém, Maria Cecília observa que essas mudanças incluem pessoas com deficiências leves (físicas ou intelectuais). "Mas existe uma população de alunos que a educação comum ainda não começou a discutir e que é justamente o caso da minha filha, que são as deficiências severas. Tem crianças que não vão conseguir ser alfabetizadas, mas elas têm direito à educação, até mesmo pela questão de se trabalhar a independência delas. É preciso avançar nisso", acrescenta.
De acordo com o assessor especial para Assuntos de Acessibilidade em Londrina, Almir Escatambulo, a estimativa é que atualmente 234 pessoas com deficiência estejam incluídas em escolas regulares no município e que do total da população, elas representem 20,89%, segundo o Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


