Educação descobre novos rumos
Érika Pelegrino
Nunca se olhou tanto para o problema da educação quanto nos últimos tempos. As escolas já não sabem mais como controlar a violência de alguns alunos; a sociedade se depara com jovens que matam seus colegas; os pais, cheios de dúvidas, sentem-se, muitas vezes, perdidos entre a imposição de limites e o autoritarismo.
Erica Leite, mãe de Cecília, 8 anos e Júlia, 5 anos, alunas da escola Sensibilização, Educação, Trabalho e Atualização, de Londrina, é uma destas mães. Ela cita como uma das dificuldades na educação de suas filhas a imposição de limites. Sua educação foi baseada no autoritarismo e com suas filhas a tentativa é de impor limites com base no diálogo. Só que há um choque de gerações, daí a dificuldade, argumenta.
Outra preocupação desta mãe é a competitividade do mundo atual. Eu passo para as minhas filhas valores voltados para solidariedade, a coesão, mas sei que o mundo profissional de hoje é voltado para a competitividade. Cria-se aí um dilema, afirma.
Assim como Erica Leite, muitos outros pais e educadores vêem aumentar suas dúvidas, enquanto crescem os riscos de que seus filhos e alunos se envolvam com a violência. Diante deste quadro, o debate sobre a educação deixa o espaço familiar/escolar e passa a atrair o interesse de toda a sociedade.
A Folha entrevistou três educadores Celso Antunes, Ivan Capelatto e Ulisses Ferreira de Araújo que estiveram recentemente em Londrina debatendo a questão da educação em diferentes âmbitos, mas que convergem para um mesmo ponto: a necessidade de pais, Estado, professores e escolas estarem refletindo e encontrando formas de trabalhar com crianças e adolescentes para criar uma nova concepção de ser humano que respeite mais a vida e seus semelhantes.
Capelatto trabalha com famílias e adolescentes em Campinas/SP e tem diversos projetos que visam trabalhar a afetividade, a ausência da qual tem levado nos últimos 30 anos, a sociedade a adoecer baseando suas relações na indiferença. É preciso convencer Estado, pais, educadores de que não existem adolescentes maldosos, mas adolescentes em sofrimento.
Celso Antunes, professor da Faculdade Santanna, de São Paulo, fala a respeito da necessidade de modificar os conteúdos escolares de forma a estimular as múltiplas inteligências do ser humano e desta forma criar uma consciência de cidadania. Estaremos criando uma nova concepção de ser humano, mais integrado, mais holístico.
Ulisses Ferreira de Araújo, da Unicamp/SP, trata da questão da indisciplina nas escolas, onde desenvolve projetos de intervenção. Para ele a indisciplina é um sintoma, e não um problema, de que a escola é autoritária e precisa mudar promovendo a auto-estima, resgatando as potencialidades dos alunos, professores e funcionários.





