Com as aulas suspensas desde o dia 23 de março, a Prefeitura de Londrina passou a buscar soluções para atender as crianças no período de isolamento por causa da pandemia do novo coronavírus. Além de distribuição de kits de materiais para realização de tarefas em casa, as escolas transmitem aulas, recebem atividades e tiram dúvidas dos alunos pela internet. Demanda que exige adaptação de toda a rede, impactando desde alunos e pais a professores e coordenadores. A secretaria municipal de Educação avalia as primeiras semanas do modelo.

Imagem ilustrativa da imagem Educação de Londrina entrega kits e avalia atuação durante quarentena
| Foto: Emerson Dias - Prefeitura de Londrina

No fim de abril o segundo lote com 27 mil kits de materiais escolares começou a ser distribuído. “A primeira rodada foi na semana do dia 13 de abril, agora fizemos mais uma para 15 dias. Na primeira, conseguimos chegar muito próximo do total de alunos, porque 4% não tinham ido buscar, mas a gente conseguiu ligar e levar para eles. Acreditamos que assim, o número de famílias que não teve acesso a esse kit seja muito pequeno”, aponta Maria Tereza Paschoal de Moraes, secretária municipal da Educação.

O número estimado de aluno que não esteja conseguindo acompanhar as tarefas diariamente chega a 5 mil. “Falta de acesso à internet e falta de condição do responsável. Por exemplo, a gente já identificou que alguns responsáveis por essa mediação são analfabetos”, comenta a secretária. Cada unidade está analisando suas próprias dificuldades e propondo soluções.

FARID LIBOS

No caso da Escola Municipal José Gasparini, no conjunto Farid Libos (norte), algumas famílias que não têm acesso à internet ou que não conseguem enviar as tarefas todos os dias por meio da tecnologia estão entregando as atividades manualmente em um período estipulado entre professor e responsável. Em alguns casos, a escola levou o material até a casa do aluno.

“No primeiro lote, nós ligamos para que eles pudessem buscar e outros a gente levou até a casa. Quem não tem o acesso à internet pode seguir o plano de aula que é entregue com o kit. Por ali, os pais conseguem ver as indicações bem explicadinhas para realizar as atividades a cada dia”, explica Patrícia Ribeiro de Ávila, diretora da escola.

CORREÇÃO

Para comprovar que as tarefas são realizadas, aqueles que podem acompanhar no método via on-line envia as tarefas no contato da professora para serem corrigidos. “Quem não pode, quando veio buscar o segundo lote de kits, trouxe as atividades para serem corrigidas”, acrescenta a diretora. A escola possui 306 alunos, sendo que 50 não têm acesso à internet.

Apesar das dificuldades de adaptação, a diretora vê que pais, alunos e professores estão se dedicando para conseguir acompanhar as atividades escolares. “É muito difícil, é um trabalho maior que se estivesse na escola, existe a dificuldade em lidar com coisa nova, mas tudo isso se transformou em uma força”, afirma.

RETORNO DOS PAIS

São muitos pontos que exigem dedicação e que estão acompanhados de uma queixa nova: o retorno dos pais ao trabalho. “Fizemos de uma forma com que os pais consigam acompanhar a aula no final do dia, quando o pai chegar à noite. Não tem interação com a professora, porque não estão on-line, mas eles podem realizar a atividade”, explica. A diretoria avalia a possibilidade de um professor passar a ficar de plantão após as 18h para atender esses pais.

“É difícil, mas a gente tem uma recompensa muito grande. A escola é de uma região carente e você vê empenho dos pais preparando um lugarzinho para a criança estudar, enviam as atividades, as crianças falam que estão com saudade, é muito gratificante, chega a emocionar”, comenta.

FORMULÁRIO

Para analisar melhor a situação, a secretaria de Educação disponibilizou um formulário aos pais para que eles coloquem suas angústias e sugestões para melhor aproveitamento do serviço. Até segunda-feira (4), mais de 20 mil pais tinham respondido o questionário. Outro formulário também foi enviado aos profissionais da educação, para a dimensão do serviço.

Kit é entregue pela diretora Márcia Mazer, da escola municipal Maria Carmelita Magalhães, à designer de costura Patricia Magro
Kit é entregue pela diretora Márcia Mazer, da escola municipal Maria Carmelita Magalhães, à designer de costura Patricia Magro | Foto: Emerson Dias - Prefeitura de Londrina

Em Londrina, as aulas ficarão suspensas até 31 de maio e podem ser novamente suspensas por um novo decreto. “A gente sabe que a solução excelente é voltar apara a escola e existe essa, que é razoável, a gente está tentando”, afirma a secretária Maria Tereza Paschoal de Moraes.

Só na rede municipal, são cerca de 45 mil alunos, da Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental, que estão realizando, em casa, as atividades remotas.

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