Educação continuará cadastrando analfabetos
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segunda-feira, 12 de julho de 2004
Adriana De Cunto<br>Equipe da Folha 
Curitiba As aulas para 40.040 jovens e adultos analfabetos cadastrados pela Secretaria de Estado da Educação no Programa Brasil Alfabetizado devem começar em agosto. O início das aulas está previsto para acontecer em duas datas: 1º e 15 do próximo mês. O número de inscritos ainda está longe da meta inicialmente estipulada. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2000, o número de analfabetos com mais de 15 anos no Paraná é 650 mil. Por isso, a Secretaria de Educação continuará cadastrando, por tempo indeterminado, quem não sabe ler e interpretar um texto.
Esses 40 mil alunos estarão divididos em 2,6 mil turmas espalhadas por 226 municípios. O número total de cadastrados até 9 de julho é 48.912 em 293 municípios, segundo dados do governo. O Paraná tem 399 municípios. Mas nem todos terão salas de aula do Brasil Alfabetizado. É que o programa será implantado naqueles com maior número de analfabetos e menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Tunas do Paraná (Região Metropolitana de Curitiba) e Ortigueira (113 km ao Sul de Apucarana) lideram esse ranking. O primeiro com 30,68% de analfabetos e o segundo, com 26,71%.
Rita de Cássia Pacheco de Andrade, representante da Secretaria de Educação no Comitê Paranaense de Alfabetização, acredita que a maior dificuldade em implantar com sucesso o programa está na vergonha do adulto se cadastrar e expor sua condição de analfabeto. A maioria dos analfabetos está na faixa entre 40 e 60 anos.
O Estado já está fazendo a seleção das pessoas que atuarão como professores. Eles vão receber uma quantia fixa mensal de R$ 120 e mais R$ 7 por aluno. As aulas acontecerão em locais próximos da residência dos cadastrados, como escolas, igrejas, associações. A verba vem do Ministério da Educação (MEC) mas, inicialmente, é o governo do Estado que vai assumir as despesas, informa Rita de Cássia.
O cadastro é gratuito e pode ser feito de 8 às 17 horas nas escolas municipais e estaduais, associações comunitárias, igrejas e postos de saúde. Não é necessário levar documento de identificação.
Alguns municípios participam do projeto diretamente com o MEC, independente da Secretaria de Educação. É o caso de Londrina, onde as aulas começaram em maio para aproximadamente 1,5 mil pessoas divididas em 85 turmas. Segundo a gerente em Educação de Jovens e Adultos da Secretaria Municipal de Educação, Elaine Fátima Souza de Carvalho, 2.837 pessoas se cadastraram no final do ano passado para o programa, mas a demora para a implantação cinco meses acabou fazendo muita gente desistir. Calcula-se que em Londrina existam 23 mil jovens e adultos analfabetos. A remuneração dos educadores londrinenses é diferente. Eles recebem R$ 15 por aluno.


