A Secretaria de Educação de Londrina realizou uma pesquisa para avaliar os impactos da terceirização da merenda das escolas municipais. O questionário foi elaborado depois que a FOLHA denunciou o desperdício de alimentos pelos alunos de um colégio da Zona Rural, no ínicio de junho.
Segundo a secretária Carmen Sposti, com a terceirização, muitas foram as reclamações com relação à merenda, principalmente no tamanho das porções servidas aos estudantes e também na ordem em que são servidas. Conforme Carmen, as merendeiras foram orientadas pelas nutricionistas do município a só servir a fruta depois que as crianças já tivessem comido o prato principal e isso tornou-se um problema nas escolas.
Para contornar a situação, a secretária decidiu distribuir um questionário aos diretores dos colégios, que tiveram até o início de julho para entregar as respostas. A tabulação ficou pronta no último dia 27 de julho.
A secretária informou que ainda está analisando os dados e que pretende se reunir com a gerência do programa municipal de merenda escolar para avaliar os resultados. ''A pesquisa é um instrumento para aprimorar o serviço. Apesar de a fiscalização ser da gestão pública, nós somos os usuários.''
Na época da denúncia de desperdício, a secretária sugeriu até mesmo a troca de alimentos na merenda. ''Dependendo do horário, as crianças preferem um lanche ou um bolo com um achocolatado no lugar do arroz e feijão.''
A diretora Silvia Regina de Souza Facco, da Escola Municipal Norman Prochet, Zona Sul de Londrina, concorda. Bem diferente de algumas escolas que enfrentam dificuldades de adaptação à merenda terceirizada, Silvia não tem do que reclamar.
Segundo ela, desde que a terceirização foi implantada, a economia com a compra de alimentos e gás e com a manutenção da cozinha reduziu significativamente os gastos com alimentação no colégio. ''Alunos que não costumavam comer fruta em casa agora estão comendo. E os pais estão gostando'', completou a diretora.
Para ela, é preciso ter bom senso para lidar com as mudanças. ''Conversei com a nutricionista porque nossa realidade é diferente, entramos num consenso e agora está tudo bem.''
''A qualidade da comida melhorou muito e até dá para fazer um trabalho pedagógico com as crianças sobre alimentação saudável'', reiterou Silvia, explicando que, ocasionalmente, os alunos que estudam à tarde recebem lanches, tortas e bolos no lugar da comida. ''Como eles se alimentam bem no almoço, eles preferem algo diferente no lanche da tarde.''
Para o lanche ou para a alimentação tradicional, composta de arroz, feijão, carne, legume e fruta de sobremesa, o termo usado pelos alunos para definir a merenda foi o mesmo: gostosa.
Gabriel Turquino Massias, 7 anos, e João Vítor Tavares, 7, preferem a carne e o arroz com feijão. ''Mas também gosto da canjica'', disse João, enquanto Gabriel lembrou do bolo de chocolate e suco.
Já as colegas Beatriz Cupini Pinheiro, 7, Sofia Tozzo Bueno de Lima, 8, e Daniele Cristina Ubaldo Silva, 10, se deliciam com as frutas. ''Prefiro melancia'', afirmou Beatriz. ''Eu gosto de abacaxi'', confessou Daniele.
João Gabriel Pedressoli, 7, fez questão de contar que adora o arroz, o feijão e a salada que vem na merenda. Já Eduardo de Oliveira Pereira, 8, prefere o macarrão com frango. ''Comemos em casa também, mas na escola, comemos tudo, todo dia'', ressaltaram os meninos.

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