O estudante Alexandro Augusto de Souza, de 10 anos, realizou uma experiência de vida inédita na manhã de ontem: com os colegas da Escola Municipal Edmundo Odebrecht, que fica no Distrito da Warta (Zona Norte de Londrina), ele plantou uma muda de pitangueira na Fazenda Santa Terezinha, que abriga atualmente a sede administrativa e os campos experimentais da Embrapa Soja. ''Foi a primeira vez que plantei uma árvore e achei muito legal'', comentou Alexandro, que se encantou com o lago da propriedade.
Já para a estudante Letícia Rodrigues, 9, a experiência de plantar uma árvore não foi inédita, mas continuou sendo boa. Ela cultivou um exemplar de goiabeira que também fará parte da floresta da fazenda, que está sendo reconstituída. ''Eu gosto de natureza e até já plantei uma árvore na casa do meu tio'', recordou a aluna, que achou a experiência muito boa: ''Melhor ainda para quem tem vontade de plantar e nunca plantou''.
Depois de plantarem as mudas de espécies frutíferas e nativas, as crianças seguiram para um passeio pelo Espaço de Educação Ambiental, inaugurado na manhã de ontem, pela Embrapa Soja, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.
A área, que engloba 350 hectares de uma antiga fazenda de café, foi revitalizada com recursos da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e contará com o apoio do Núcleo Regional de Ensino de Londrina (NRE), Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).
Conforme a coordenadora do espaço, a pesquisadora Soja Vania Castiglione, entre o nascimento do projeto e o início das obras passaram-se dois anos. ''Transformamos a fazenda num espaço de aprendizado ambiental e histórico para alunos de ensino fundamental, médio e universitário.''
O novo espaço fica em um local nobre da propriedade, onde há uma represa, uma área de preservação permanente e de reserva legal e construções históricas da época em que a fazenda era usada para o cultivo do café. Os visitantes poderão caminhar por uma trilha interpretativa junto à mata, conhecer as instalações restauradas da antiga fazenda de café, como o terreirão e a tulha, além de visitar uma exposição histórica sobre o homem, a fazenda e as interações entre agricultura e ambiente.
Ainda segundo Vania, na trilha interpretativa, os visitantes poderão conhecer a nascente do Córrego dos Cágados, que deságua no Rio Tibagi, além de 53 espécies arbóreas da floresta secundária. ''O visitante poderá ver a evolução da floresta e imaginar como ela ficará no futuro'', completou a coordenadora, descrevendo que a trilha tem cerca de 880 metros de extensão e o passeio dura cerca de uma hora.
Ela citou ainda que 25 monitores serão responsáveis por receber os grupos de visitantes e promover as ações de educação ambiental. ''O espaço não estará aberto somente para estudantes, mas também para a comunidade em geral. Basta agendar um horário para a visita'', disse a coordenadora.
Para o chefe-geral da Embrapa Soja, Alexandre Cattelan, o espaço tem caráter democrático. ''É um local importante para resgatar a história e valorizar as conexões entre homem e o ambiente'', destacou.
Para a secretária estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Lygia Pupatto, o Espaço de Educação Ambiental traduz a filosofia dos últimos anos da Seti: ''É uma iniciativa que resgata um espaço público, a história de Londrina e da região, além de possibilitar a centenas de crianças um novo espaço para educação ambiental'', opinou Lygia, completando que o projeto também se destaca por conseguir articular instituições públicas de pesquisa e ensino, criando uma expectativa positiva em relação ao potencial de ações voltadas à preservação do meio ambiente.

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