Curitiba - Segundo a Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), 18,5% dos estudantes dessa modalidade não concluem os cursos para os quais se matricularam. Uma porcentagem de evasão semelhante a do ensino presencial, mas que pode ser reduzida com uma boa dose de informação e planejamento. Afinal, trata-se de uma prática ainda em expansão no Brasil - para se ter uma ideia, o setor cresceu 200% apenas nos últimos quatros anos e hoje conta com 900 mil alunos.
Os primeiros registros de educação a distância (EAD) no país datam de 1994. Os cursos de graduação e pós, no entanto, só foram legalizados em 2000. Até então, as opções disponíveis se restringiam ao ensino informal ou profissionalizante (uma limitação que acentuou o preconceito contra a modalidade).
''Historicamente, a EAD sempre foi sinônimo de ensino de segunda categoria. Não é por acaso que, ainda hoje, quando alguém faz uma barbeiragem no trânsito, dizemos que a pessoa tirou a carteira por correspondência'', brinca Patrícia Torres, professora da Pontifício Universidade Católica (PUCPR), doutora em Mídia e Conhecimento e coordenadora do pólo estadual da Abed.
Para Patrícia, qualquer pessoa está apta a estudar a distância. O problema, ela diz, é a ideia de que esse tipo de curso pode ser mais fácil do que o tradicional. ''Muita gente se matricula pensando que vai ter menos trabalho. Mas a flexibilização de horários não significa a não-disponibilização de horários'', explica.
Ou seja: em algum momento, o aluno terá de reservar um tempo para se dedicar aos estudos. E não adianta deixar tudo para a última hora, como é de praxe na nossa cultura. ''No ensino presencial, você até pode improvisar, mesmo isso não sendo correto. A EAD, no entanto, não aceita improviso, porque depende totalmente do aluno'', afirma a professora.
No mais, ela acredita que as fronteiras entre o ensino ''real'' e o ''virtual'' não fazem mais sentido. Pelo contrário: está em curso, no mundo inteiro, um processo de hibridização da educação. Inclusive no Brasil, onde a legislação já permite que os cursos superiores presenciais realizem 20% de suas atividades a distância. ''Só o fato de você criar um grupo de discussão na internet com a sua turma, ou então mandar trabalhos por e-mail para o professor, é a prova de que essa é uma tendência irreversível'', garante.

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