Turma começou em maio com 25 alunos: secretaria estuda estratégias para que eles retornem à escola
Turma começou em maio com 25 alunos: secretaria estuda estratégias para que eles retornem à escola | Foto: Fábio Alcover



Em maio de 2017 a Secretaria de Educação de Londrina criou uma turma da Educação de Jovens e Adultos (EJA) na rede municipal voltada para imigrantes haitianos. A turma, na Escola Municipal Professora Mari Carrera Bueno, no Jardim Santa Rita (zona oeste), começou com 25 alunos, mas hoje conta com apenas seis, o que representa uma diminuição de 76%. Parte dessa redução, segundo os alunos, é devido à rotina desgastante do trabalho, prejudicando o comparecimento às três aulas semanais. "É difícil porque eles trabalham muito. E alguns deles quase não têm dinheiro", ressalta Casimir Laurent, um dos seis alunos remanescentes da turma. Ele explica ainda que muitos quase não falam português, o que dificulta o acompanhamento da aula.

Outro motivo da queda na frequência é a ausência da professora Cláudia Campos Pozzati, que solicitou licença das aulas por motivos particulares. Ela ministrava aula aos haitianos antes mesmo de a turma da EJA ser criada, como voluntária. "Pensamos em estratégias para tentar trazer esses alunos de volta. Estamos conversando com os alunos por intermédio de um grupo no WhatsApp que eles possuem", explica a coordenadora da EJA Fase 1 da SME, Déborah Flora dos Santos, acrescentando que também já foram programadas visitas domiciliares.

A gerente executiva da Cáritas, Deusa Rodrigues Favero, confirma que a saída da professora influenciou na frequência dos alunos. "Ao não vê-la em sala, interromperam essa continuidade das aulas", reforça. Segundo ela, a Cáritas mantém três grupos com imigrantes de Londrina e região que têm aulas de língua portuguesa. Todos eles são conduzidos por voluntários.

A própria professora Cláudia Pozzati leciona às sextas-feiras pela Cáritas e uma boa parte dos estudantes que frequentavam a EJA passou a ir a essas aulas. "Quando saí da EJA deixei bem claro para os alunos que eles deveriam continuar frequentando a escola, que essa educação formal é importante", observa. Esse apego é justificável, pois quando Pozzati começou a lecionar para os haitianos, percebeu que eles tinham muitas necessidades além das aulas de português e passou a ajudá-los, pedindo doações de alimentos, roupas e móveis.

A coordenadora da EJA ressalta que ensinar português para estrangeiros é um desafio. "É preciso ter muita paciência, pois é necessário muita repetição das palavras para que eles falem o mais correto possível. Eu tenho formação em Letras, em Inglês, e esses alunos falam francês, creole e espanhol. Por isso esse processo será uma troca de experiências. Eu também vou aprender bastante com eles", afirma.

Além das três aulas semanais, quinzenalmente os haitianos participam de projetos especiais envolvendo artes e culinária juntamente com os alunos brasileiros.
"São alunos com um ritmo diferenciado, mas que estão muito motivados. É um momento muito intenso de troca e enriquecimento cultural, pois eles valorizam muito a música e a dança. Inclusive, os trabalhos e atividades feitos pelos alunos haitianos são produzidos em português, inglês e francês", ressalta a coordenadora.

Sendy Civil está há 11 meses no Brasil e tem muitas dificuldades com a oralidade do português. "Os verbos regulares e irregulares são difíceis de conjugar em português. Estou começando a aprender devagar. Pratico com meus amigos, conversando com eles. Quando não entendo, peço para eles falarem devagar. Sempre depois da aula eu tento estudar mais", ressalta.

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