EDUCAÇÃO - Resolução da UEL dificulta vaga em estágio
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domingo, 15 de maio de 2005
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
Considerado a principal porta de entrada dos estudantes no mercado de trabalho, o estágio está passando por remodelações com o intuito de impedir a exploração dos jovens, definindo cargas horárias mais restritas e combatendo o desvio de função. As mudanças, no entanto, geram um efeito indesejado. Os universitários estão enfrentando mais dificuldades para encontrar uma vaga por força das novas exigências.
Hoje, o problema aflige os alunos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), única instituição de ensino superior da cidade que já adotou a redução da carga horária máxima de oito para quatro ou seis horas diárias. Os estudantes estão perdendo oportunidades, já que as empresas preferem contratar os estagiários para trabalhar no horário comercial completo.
Um exemplo é o aluno Paulo Eduardo Severino dos Santos, 23 anos, do 2º ano de ciências contábeis da UEL. No ano passado, ele foi estagiário de um escritório do ramo e recebia R$ 320,00 por 40 horas semanais. Após ser dispensado, o estudante não conseguiu nova colocação. Uma multinacional entrou como cliente do escritório, que preferiu buscar alguém com mais experiência. Agora, com a limitação de 20 horas (semanais), quase ninguém está conseguindo estágio, revelou.
As vagas para estágio não diminuíram. Pelo contrário. A diferença é que as firmas estão contratando estudantes das universidades particulares, que não aderiram à restrição de horário. De acordo com Solange de Oliveira Rabelo, proprietária da Alternativa Trabalho Temporário e Gestor de Talentos, os alunos do setor privado estão tomando conta das vagas em diversas áreas de atuação. Fizeram uma lei para facilitar o acesso de negros e alunos de escola pública na UEL, mas estão dificultando o estágio. Os alunos estão ficando sem ter como comprar cadernos, livros. Sem ter como se manter, criticou.
A legislação que regulamenta o estágio no País é de 1977. Uma comissão inter-ministerial propôs mudanças nas regras. O projeto de lei está tramitando em Brasília. Em harmonia com diversas universidades públicas do País, a UEL antecipou-se e aprovou em fevereiro a redução da carga horária máxima do estágio voluntário. O estágio curricular obrigatório, feito grande parte em projetos dentro da própria instituição, também obedece o limite.
O estágio voluntário teve a carga regulamentada. Oito horas por dia não é atividade de estágio, mas emprego. No estágio, o estudante vai para a empresa para aprender e não para trabalhar, salientou a diretora de apoio à ação pedagógica da pró-reitoria de graduação da UEL, Maria Inês Nobre Ota.
O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da universidade referendou diversas mudanças sobre o estágio na Resolução 13/2005. A modificação, que passou a vigorar no final de fevereiro, segue decisão de um movimento integrado por universidades públicas. No uso de sua autonomia, a UEL decidiu implementar já as mudanças, explicou Maria Inês.
Para o diretor do centro acadêmico de administração de empresas da UEL, João Fernando Zogheib Souza, 20, a determinação deveria ser seguida também pelas instituições particulares. O que falta é uma organização conjunta das universidades. O ideal é que seja organizado um conselho para discutir os tópicos importantes para as instituições e que devem ser seguidos por todos, sugeriu.
Enquanto as universidades não rezam pela mesma cartilha, os estudantes da UEL arcam com o prejuízo. O dinheiro faz falta. Mas o pior é o prejuízo para o aprendizado. Só a teoria não resolve na hora de procurar um emprego, enfatizou Paulo Eduardo Santos.


