Para tentar sanar a alta rotatividade nas escolas rurais e visando facilitar a contratação de professores, a prefeitura de Londrina criou o cargo de professor do campo, que irá atuar exclusivamente nas escolas da zona rural, sem possibilidade de remoção para a cidade.
"Hoje não existe diferença entre os professores do campo e da cidade, já que o concurso é o mesmo. Geralmente quando abrem as vagas o professor novo vai para longe e assim que surge uma vaga na cidade, ele volta. Com isso sempre falta professor na zona rural. Como os ônibus também têm horários específicos, muitas vezes o professor fica impossibilitado de desenvolver atividades fora do horário de aula ou mesmo ficar um pouco além para auxiliar um aluno ou atender um pai", explica a secretária municipal de Educação, Janet Thomas. Em Londrina são 11 escolas nos distritos e duas em assentamentos, onde atuam 292 professores.
O professor do campo terá uma carga horária de 40 horas – ao invés das 20 horas atuais, e será selecionado através de concurso específico para as escolas da zona rural. Dessa maneira, não será possível pedir a remoção para vagas em escolas localizadas na zona urbana. Os professores que já atuam no regime de 20 horas devem continuar dessa maneira, com transporte.
Com a criação do professor do campo, deverão ser criadas também as escolas do campo, o que significa um conteúdo didático diferenciado e ampliado para as escolas da zona rural. Além das disciplinas comuns aos alunos da zona urbana, os alunos dessas escolas também aprenderão conteúdos relacionados à sua realidade. "O escopo de preparação tem que ser mais abrangente. Esse aluno deve ter ensino integral e ser preparado para viver no campo, caso deseje", ressalta. A comunidade escolar poderá optar por se tornar ou não uma escola do campo.
A lei foi sancionada pelo prefeito Alexandre Kireeff no dia 29 de setembro. O próximo passo será a abertura de edital para o processo seletivo, que deve ser realizado no próximo ano, mas ainda não há data definida. Segundo Janet, devem ser abertas 85 vagas.
"Em um primeiro momento devem ser chamadas 30 pessoas, para preencher as vagas em aberto. As outras serão chamadas conforme necessário. Em média cada escola precisa de dois professores. Apenas as escolas do assentamento Eli Vive contam hoje com professores terceirizados e lá devem ser abertas 18 vagas."

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