Pais de alunos da Escola Municipal Inês Corso Andreazza, no Conjunto Vivi Xavier, Zona Norte de Londrina, ameaçam não mandar os filhos para aulas de reposição, caso o calendário escolar se estenda até a metade das férias de julho. ''Nossos filhos ficaram presos em casa durante todo o período da greve dos servidores, pois não sabiam quando as aulas poderiam voltar. E agora vão perder as férias também'', indigna-se a comerciária Silvana Trindade.
Mãe de duas meninas que estudam na escola, Silvana compõe a comissão formada por seis pais que tentam negociar uma nova forma de reposição. Na tarde de ontem, a comissão reuniu-se com o diretor do colégio, Ricardo da Silva, mas não houve acordo. Para tentar resolver o impasse, a secretária municipal de Educação, Carmem Sposti, marcou uma assembléia para hoje às 7h30, na escola, para explicar a situação.
Segundo o diretor do colégio, o calendário elaborado junto com a Associação de Pais e Mestres (APM) determinava que os 713 alunos teriam aulas em nove sábados, dois feriados, recessos escolares e durante uma semana das férias de julho. ''Somente alguns pais fazem parte da APM, por isso a maioria não aceitou o cronograma quando nos foi apresentado'', declara Silvana.
A primeira proposta elaborada pela comissão foi de aumentar 30 minutos diários até que fossem cumpridas as 800 horas anuais. Para formalizar o posição, os pais elaboraram um abaixo-assinado com 500 assinaturas. ''Não queremos que nossos filhos sejam prejudicados. E o pior será a situação de pais com filhos matriculados em escolas municipais e estaduais que terão folga em diferentes períodos'', argumenta.
Na reunião de ontem, Silva informou à comissão que a fragmentação em minutos é impossível, pois a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) determina que sejam cumpridos, no mínimo, 200 dias de aulas. ''Consultamos vários Conselhos de Educação e constatamos que isto seria ilegal'', afirma a secretária Carmem. Ela lembra que a secretaria deixou a cargo da direção das escolas elaborar um calendário mais adequado a cada comunidade.
A secretária diz entender a revolta dos pais do bairro, pois no ano passado muitos alunos foram submetidos ao turno intermediário de 3h30 para não ficarem sem aulas até que um novo colégio fosse construído na região. ''Eles precisam entender que o turno intermidiário foi um projeto especial aprovado pelo Conselho Estadual de Educação para evitar que as crianças ficassem sem aulas'', afirma a secretária. Hoje, ela pretende esclarecer que não está usando a lei da maneira mais conveniente em cada caso, e sim da forma correta.
Diante do impasse, a comissão de pais já elaborou uma nova proposta para que todas as aulas sejam repostas todos os sábados, para não entrar nas férias dos alunos. ''Se eles decidirem que assim é melhor eu aceitarei, só não posso autorizar a fragmentação de minutos que seria ilegal'', garante Carmem. Caso não haja entendimento entre os pais e a secretária, Silvana adianta que muitos deles não vão mandar os filhos para as aulas de reposição.

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