EDUCAÇÃO - Indefinição do governo frustra professores
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quarta-feira, 11 de maio de 2005
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Como parte de um dia de mobilização pela reposição salarial, docentes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) participaram ontem de uma audiência pública no auditório do Centro de Ciências Humanas (CCH), no campus universitário. A expectativa era que o Estado apresentasse uma proposta de reposição salarial, mas até o início da noite de ontem nada foi divulgado.
Participaram do debate, além da reitora Lygia Pupatto, os deputados estaduais Elza Correia (PMDB), Barbosa Neto (PDT), o vereador Glaudio Renato de Lima (PT) e o presidente do Sindicato dos Professores de Londrina (Sindiprol), César Caggiano.
À tarde, os docentes realizam uma assembléia onde, segundo Caggiano, os professores se mostraram ''muito chateados'' com a posição do governo de não avançar na proposta. Durante a manhã, as discussões foram sobre as chances de reposição das perdas salariais de 58% - de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Na avalição do presidente do Sindiprol, o índice oferecido deveria ficar entre 20 e 25%.
Poucos professores participaram da audiência pública. A maioria das cadeiras do auditório estava ocupada por estudantes, que torcem para que o movimento não atrapalhe o ano letivo, como aconteceu na greve de seis meses em 2001, se estendendo até 2002.
A deputada Elza Correia, que preside a Comissão de Educação da Câmara, acompanhando as negociações entre a categoria e o governo estadual, adiantou que os docentes não devem esperar pela reposição integral das perdas.''Que seja pelo menos algo aproximado dos 20%'', afirmou.
As universidades estaduais estão à sombra da evasão de doutores, que podem migrar para as instituições federais em função dos baixos salários. No universo de mais de 1.600 docentes da UEL, por exemplo, 85% são mestres e doutores.
Alguns professores cobram uma radicalização do movimento, apesar dos R$ 14 milhões já investidos pelo governo Requião nas universidades.
A manifestação da categoria demonstra a preocupação com falta de valorização profissional. ''O salário mínimo de um professor/doutor na prefeitura é de mais de R$ 3 mil, enquanto na UEL é de apenas R$ 1.100,00'', exemplificou o vereador Glaudio Renato de Lima.
A Comissão de Mobilização da UEL, formada por docentes para auxiliar o Sindiprol nas negociações, está organizando debates em torno da questão. Já a Câmara de Vereadores pretende enviar ofício em apoio ao movimento. Os professores esperam contar também com o apoio do prefeito Nedson Micheleti, que amanhã deve se reunir com o governador Requião.
A reitora Lygia Pupatto destacou três pilares de sua gestão que, além de se preocupar com a infra-estrutura da universidade, tem em pauta o aumento do custeio e a recuperação salarial. ''Se não tivermos recursos humanos, bem pagos e qualificados, a estrutura física se perde'', avaliou.
O presidente do Sindiprol ressaltou que a cidade perde, com a falta de investimentos em recursos humanos na UEL. ''Com as perdas de 58% contatamos que a folha de pagamento da UEL é de R$ 10 milhões. O que se perde é algo em torno de R$ 6 milhões de investimentos por mês sem a reposição. Por ano isso é algo em torno de R$ 70 milhões'', comparou Santos.


