Eduardo Alonso depõe e é indiciado
Lino Ramos
De Londrina
O ex-diretor administrativo-financeiro da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), Eduardo Alonso, foi indiciado ontem pelo delegado da Polícia Federal, João Luiz do Prado, com base no crime de falsidade ideológica (artigo 299 do Código Penal), cuja pena varia de um a cinco anos de prisão. Alonso foi ouvido ontem no inquérito que apura a falsificação de certidões do Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço (FGTS) pelas empresas de Curitiba, Ecodata Engenharia e Serviço Especializado de Computação Ltda e Sistema Design, Arquitetura e Urbanismo, acusadas de vencerem licitações fraudulentas feitas pela Comurb.
Segundo o delegado federal, outros envolvidos como o ex-presidente da Comissão de Finanças da Autarquia de Meio Ambiente, Edson Alves da Cruz, e a secretária da diretoria da Comurb, identificada por Meire, disseram à Polícia que Eduardo Alonso trazia os processos de licitações para a Companhia. O Eduardo foi interrogado, mas pediu sigilo porque disse estar sendo ameaçado de morte,informou o delegado. João Luiz do Prado adiantou apenas que o indiciado confirmou informações que já repassou ao Ministério Público. Segundo o delegado, o indiciamento não significa denúncia formalizada.
Prado aguarda a resposta de cartas precatórias de sete pessoas de Curitiba envolvidas no Escândalo da Comurb, entre eles Cláudio Mena Barreto, dono da empresa Sistema.
Ontem cedo, às 7h30, Eduardo Alonso ligou à PF informando que iria prestar depoimento, mas só foi ouvido por cerca de uma hora no período da tarde. Durante toda a manhã ele esteve no Fórum de Cambé, região metropolitana de Londrina, onde prestou um novo e extenso depoimento ao Promotor Cláudio Esteves, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC). O depoimento foi tomado fora de Londrina a pedido do ex-diretor da Comurb, que disse estar com medo.
Esteves não confirmou informação obtida pela Folha de que Alonso entregou documentos ao Ministério Público, que fariam parte das provas que ele diz possuir contra diversas pessoas ligadas à administração municipal de Londrina. O promotor não quis revelar o contéudo do depoimento e disse apenas que ele trouxe novos esclarecimentos sobre as irregularidades.
No depoimento prestado à PIC em Curitiba, no dia 11 de novembro deste ano, o ex-diretor administrativo-financeiro da Comurb nominou várias pessoas como envolvidas no esquema de corrupção em Londrina, entre elas o ex-secretário municipal de governo, Gino Azzolini Neto e Cassimmiro Zavierucha, o Carlos Júnior, tesoureiro de campanha do prefeito Antonio Belinati (PFL). Segundo Eduardo Alonso, em maio de 98, por ocasião das vendas das ações da Sercomtel houve uma reunião com alguns secretários na qual o prefeito teria dito que eles deveriam fazer o que Azzolini Neto mandasse.
O prefeito Antonio Belinati tem adotado a postura de não se manifestar sobre essas acusações, dizendo que espera uma punição exemplar os verdadeiros culpados que forem apontados pelo Ministério Público. Sobre os depoimentos de ontem, Eduardo Alonso disse apenas que cumpriu seu dever de londrinense e não pode mais se manifestar sobre as irregularidades por orientação de seu advogado, Elias Mattar Assad.





