Editora altera livro acusado de racismo
Pais denunciaram
que filhos negros
eram alvo de
chacota na escola
Sid Sauer
O livro didático ‘‘Brasil - Uma História em Construção’’, da Editora do Brasil S.A., que no ano passado foi acusado em Campo Mourão de incentivar o racismo, está sendo distribuído este ano com alterações nas duas páginas que traziam exemplos de preconceito na cultura brasileira. Versinhos, quadrinhas e provérbios que denigrem a imagem do negro e que estavam no livro como exemplos do preconceito foram substituídos por um texto de Clóvis Moura.
Escrito por José Rivair Macedo e Mariley Oliveira, o livro foi adotado pela Secretaria de Estado da Educação e estava sendo usado por alunos da quinta série de todo o Paraná quando surgiu a denúncia, em setembro do ano passado, de dois pais de alunos, José Irineu Lídio e José Fernando de Souza. Na época, Lídio chegou a dizer que seu filho, Drumont, que é negro, tinha ficado constrangido com a leitura do capítulo que falava da escravidão e do racismo no País.
O problema era nas páginas 80 e 81, onde os autores usavam trechos de um outro livro, ‘‘O negro no mundo dos brancos’’, escrito em 1965 pelo sociólogo Florestan Fernandes. Foi dessa outra obra que foram tirados exemplos do racismo - ‘‘O negro na festa do branco é o primeiro que apanha e o último que come’’; ‘‘negro quando se chama, resmunga; se resmunga, leva pau’’. Segundo a denúncia, as frases eram usadas como chacotas pelos colegas depois das aulas.
Em Campo Mourão, o caso chegou a ser levado até a promotoria pública, que sugeriu a retirada do livro, e também virou requerimento na Câmara de Vereadores. O vereador Sidnei de Souza Jardim (PSDB) enviou ofícios à Secretaria de Estado da Educação e ao Ministério da Educação pedindo que a obra fosse retirada das escolas.
Ainda no final do ano passado, a diretora geral do Departamento de Ensino de 1º Grau da Secretaria de Estado da Educação, Zélia Maria Lopes Marochi, respondeu o ofício da Câmara de Vereadores dizendo que os versinhos, quadrinhas e provérbios usados no livro tinham a intenção de denunciar o preconceito racial existente na sociedade. Mesmo assim, ela pediria à editora que reescrevesse os textos.
Também foi retirado do livro o questionário com cinco perguntas a respeito dos provérbios e versinhos. Uma delas, por exemplo, perguntava aos alunos se eles conheciam outros ditados ou expressões que revelassem o preconceito em relação ao negro. Em caso de resposta afirmativa, o provérbio deveria ser citado. Na nova versão, as perguntas são sobre o texto de Clóvis Moura.

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