Marcos NegriniSex shop está funcionando desde dezembro do ano passado, depois de ter o alvará ‘emperrado’O preconceito de funcionários da Prefeitura de Maringá provocaram duas polêmicas na cidade, que só foram resolvidas com a intervenção do prefeito Jairo Gianoto (PSDB). Em dezembro, a Secretaria da Indústria e Comércio negou alvará de licença para funcionamento de um sex shop, por considerar o empreendimento ‘‘imoral e contra os bons costumes’’, segundo justificativa apresentada por funcionários ao empresário Alexandre Uejo, dono da loja.
Agora em fevereiro, a Secretaria de Transportes cancelou na véspera da abertura dos envelopes, que seria no dia 18, o edital de licitação para explorar o serviço de som da nova rodoviária, que deverá ser inaugurada ainda este mês. Cláusula do edital proibia a execução de músicas sertanejas e de outras que ‘‘excitassem’’ o público. A prefeitura vai abrir nova concorrência dentro de 30 dias. Os nomes dos funcionários que negaram o alvará e proibiram a música não foram revelados.
O sex shop só conseguiu o alvará depois que o contador da empresa foi conversar com o procurador jurídico da prefeitura, Otávio Salvadori. Segundo o contador, funcionários do setor de ISS/QN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza) disseram que o alvará não seria concedido porque o ramo do negócio era considerado ‘‘imoral e contra os bons costumes’’.
Normalmente, o alvará demora de cinco a sete dias para ser expedido. O do sex shop demorou 15 dias para ser aprovado e só foi liberado depois que um jornal local publicou reportagem sobre o assunto. O prefeito leu e ordenou a liberação imediata do documento.
Música sertaneja O prefeito Jairo Gianoto, que assinou o edital de licitação para a rodoviária sem ler seu conteúdo, disse que a proibição das músicas foi um erro de um funcionário da Secretaria de Transportes. ‘‘O Chitãozinho e o Xororó, que são de Astorga, podem ficar tranquilos que todos os usuários da rodoviária poderão ouvi-los o dia inteiro’’.
Sobre o fato do edital ter sido assinado sem a leitura do conteúdo, o procurador jurídico da prefeitura disse que é impossível o prefeito ler tudo o que assina. ‘‘Porque é muito papel. Para isso, confia nos assessores que elaboram estes textos’’.

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