Edifício é exemplo em cometer irregularidades
Um prédio de sete andares que está sendo construído ao lado da sede do Sinduscon, no centro de Curitiba, é um dos exemplos do descaso com a segurança do trabalhador da construção civil, segundo afirma o sindicato da categoria. Numa inspeção de rotina que a equipe da Folha acompanhou, pelo menos seis irregularidades foram constatadas pelo secretário de imprensa Domingos David.
Três trabalhadores estavam calçando botas de borracha. De acordo com David, eles deveriam usar calçados especiais com solados imunes a pregos expostos em madeiras espalhadas pela obra. O canteiro não é limpo, não existe passagem liberada e o caminho é repleto de sobras de madeira e ferro, prosseguiu David. Uma serra elétrica, conhecida como disco de corte, usada para cortar pedaços de ferro, era manuseada por um operário que não tinha óculos de proteção contra as faíscas produzidas pelo atrito do equipamento com a barra de ferro.
David observou que outro operário trabalhava dentro de um fosso com cerca de três metros de profundidade, sem que as encostas de terra fossem escoradas. Nenhum dos operários dispunha ainda de uniformes e todos transitavam com calças e camisas velhas e rasgadas. A plataforma de madeira utilizada para circulação externa dos operários do primeiro andar estava construída irregularmente e fora da metragem determinada. Esta plataforma não é fixa e não chega a ter 2 metros e 50 centímetros de largura, descreveu Domingos David. A plataforma serve para proteger os trabalhadores dos objetos que podem cair dos andares superiores.
Esta é uma obra que está ao lado do Sinducscon e que deveria estar dando o exemplo, disse David. O representante do sindicato afirmou que a omissão, quando se trata de segurança no trabalho, não parte dos trabalhadores. Ele diz que após a publicação da Norma Regulamentar 18, que disciplina os métodos de segurança do trabalho, os próprios empresários tentaram derrubá-la através de liminar na Justiça. A ação foi cassada no mesmo ano. (D.V.)





