Edificação é uma das mais
antigas, afirma museóloga
A idéia da demolição do prédio que abriga o Colégio São Paulo traz à tona uma preocupação constante, principalmente entre historiadores: a preservação da memória de Londrina. O colégio nasceu como uma pequena casa (ainda mantida no local) destinada a ser um seminário, em 1934, segundo a museóloga Zuleica Scalassara. ‘‘Não chegou a ter esta função e passou a servir de casa para os primeiros párocos a virem para Londrina’’, conta a museóloga.
Segundo ela, o primeiro morador do local foi o pároco palotino Carlos Dietz. Zuleica Scalassara afirma que a edificação é uma das mais antigas da região central. Nesta época, se via apenas a Catedral em madeira, à esquerda uma caixa d’água e à direita o bosque e a casa dos padres. Alguns anos mais tarde, no mesmo terreno surgiu a Escola Paroquial Vicente Palotti, com a construção de duas salas de madeira.
Na sua opinião, preservar esta construção significa preservar parte da história de Londrina e do início da religião católica na cidade. ‘‘A edificação guarda a lembrança da vida católica em Londrina’’, afirmou. O reitor do Seminário Menor dos Palotinos, Reinaldo Picoloto ficou irritado com a reportagem e afirmou ser ‘‘inútil esta preocupação’’ (com a preservação da história). Segundo ele, a Construtora Quadra comprou o terreno ‘‘e tem o direito de fazer o que quiser’’.
‘‘Agora a construtora vai ser obrigada a preservar (a casa). Esta preocupação só existe quando é no terreno dos outros’’, afirmou. O religioso disse que a igreja se preocupa em preservar a história do catolicismo.
O médico José Antônio Gorla Júnior, 43 anos afirma que ‘‘é com tristeza que a gente vê esta perda’’. Ele fez o primeiro ano do ginásio no colégio, em 1967, e guarda boas lembranças da época. ‘‘Lá fiz amigos que preservo até hoje’’, conta. Segundo ele, a sua própria história está vinculada à história do colégio.
O representante de vendas, José Carlos Melo, 51 anos, também estudou no local na época em que ainda era a Escola Paroquial Vicente Palotti. Isto entre 1955 e 1959, quando fez da 1ª a 4ª série. Ele conta que na época existiam no terreno apenas a casa dos padres, em alvenaria, e duas salas aula construídas em madeira. Na sua opinião o local deveria ser transformado em ponto histórico. ‘‘A cidade não preserva nada de sua memória através de edificações. Só restou a antiga ferroviária, o resto foi para o chão’’, lamentou.
Uma forma de preservar a casa dos padres seria através do tombamento, transformando o local em patrimônio histórico. Este tipo de ação é determinado pela lei estadual 1211, de 16 de setembro de 1953. Segundo a gerente de patrimônio histórico e cultura da Secretaria de Cultura de Londrina, Vanda de Moraes, o pedido de tombamento pode ser feito através do proprietário ou por iniciativa popular.
Vanda de Moraes afirma que para ser tombada a edificação tem que representar uma importância histórica para o Estado e não apenas para a cidade. No caso da casa dos padres, ela afirma que ‘‘pode-se tentar argumentar sobre sua importância quanto à religião católica’’. (E.P.)

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