Apesar de não assumir a responsabilidade pelo derramamento de óleo na Serra do Mar, a Ecovia vai manter os trabalhos de limpeza do local. ‘‘Não reconhecemos a culpa, mas não iremos nos furtar de fazer tudo o que for possível para recuperar a área’’, afirmou o presidente da concessionária, Ademar Rodrigues Alves. O relatório do consultor ambiental, contratado pela Ecovia, deve ficar pronto hoje. O levantamento vai indicar o que deverá ser feito para a recuperação da área.
Funcionários da Ecovia continuavam, ontem, a retirada do óleo do trecho da Serra do Mar e do Rio dos Padres, derramado por um caminhão no último final de semana. A concessionária não soube informar a quantidade do material que já foi retirada nos dois dias de limpeza. O que a Folha apurou no local é que o trabalho é lento pela dificuldade de acesso (o terreno é bastante íngreme) e o óleo é retirado manualmente com uso de recipientes plásticos.
Por ser muito espesso, o produto fica fixado nas pedras do rio e não há como ser removido totalmente. Técnicos do Instituo Ambiental do Paraná (IAP) disseram que a própria natureza é que terá de se encarregar de absorver o produto.
A última barreira instalada pela Defesa Civil fica a cerca de 14 quilômetros do local do derramamento, já no Rio do Pinto. Segundo o tenente Abrão Mahmoud Filho, do Corpo de Bombeiros de Paranaguá e Defesa Civil, os vestígios de óleo não ultrapassaram essa barreira. Ele não acredita que o óleo chegue ao Rio Nhundiaquara.
Funcionários da Secretaria Municipal de Morretes visitaram, ontem, as famílias que moram ao longo do Rio do Pinto, numa localidade chamada Rodeio, orientando para não consumir ou tomar banho no rio. Terezinha Souza, que está na região há quatro anos, disse que usava a água do rio apenas para lavar roupa. Mas mesmo assim, sente-se prejudicada porque tem que usar água de uma mina, que antes só servia para consumo e higiene pessoal. ‘‘O pior é para as crianças, que não podem mais tomar banho no rio para fugir do calor’’, reclamou.
Antônio Humberto Nobre, que tem uma chácara a aproximadamente sete quilômetros da BR-277, está revoltado. Ele havia represado a água do rio do Pinto. Os tanques onde ele pretendia criar trutas foram invadidos pelo óleo. Nobre acha que a responsabilidade é da Ecovia e disse que vai pedir indenização. ‘‘Eu já tinha minha produção toda comercializada, por isso o meu prejuízo é grande.’’
Até ontem, IAP e Ibama não tinham o resultado das análises do óleo coletado na Serra do Mar. De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, o laudo deve ficar pronto entre hoje e segunda-feira.

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