Ecopontos viram lixões urbanos
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quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Marcos Roman<br>Reportagem Local 
Conviver com portas e janelas fechadas mesmo com o calor de mais de 30 graus que tem feito nos últimos dias. Pagar o dobro de conta de água para limpar a poeira que invade a residência diariamente. Ter que suportar o mau cheiro de animais em estado de decomposição. Enfrentar problemas de saúde causados pela fumaça de queimadas que ocorrem em terrenos vizinhos. Essa é uma realidade comum vivida por grande parte das pessoas que moram próximas aos ecopontos, implantados pela prefeitura em diversas regiões da cidade com a função de armazenar resíduos como entulhos de construção e galhos.
''A gente limpa a casa de manhã e na hora do almoço já está tudo sujo novamente por causa da poeira produzida pelos caminhões que vêm trazer e levar lixo'', queixa-se a dona de casa Marli Cabecione, que mora em frente ao ecoponto localizado na Rua Ozéias Furtoso, Jardim Santa Rita V (Zona Oeste). Ela reclama ainda que a fumaça das queimadas provocadas no ecoponto têm agravado os problemas de saúde dela e de outros moradores do bairro. ''Eu sofro de alergia e vários vizinhos têm problemas respiratórios, que têm piorado por causa da poeira e da fumaça'', enfatiza.
Outra queixa é em relação ao alambrado da área, que fica rente ao meio-fio. ''Por aqui passam diariamente crianças de vários bairros vizinhos a caminho da escola. Elas são obrigadas a andar na rua porque não há espaço para calçada. Será que vão esperar alguém morrer atropelado para fazerem alguma coisa?'', questiona Marli.
A dona de casa Vanda do Nascimento diz que o valor da conta de água de sua residência quase dobrou depois que o ecoponto foi implantado no Jardim Santa Rita V. ''No mês passado eu paguei R$ 105. Antes eu gastava metade desse valor'', ressalta. ''Por causa deste ecoponto, houve uma desvalorização dos imóveis do bairro, pois ninguém quer comprar casa aqui. A poeira produzida é tanta que invade até a minha casa, que fica cinco ruas acima'', relata o representante comercial Alexsandro Coutinho.
As mesmas reclamações são ouvidas em outros bairros onde foram implantados ecopontos. ''Por causa da fumaça das queimadas que acontecem com frequência, a gente é obrigado a dormir com a janela fechada a noite toda e acaba pagando quase o dobro de conta de luz. Além disso a casa e o carro da gente nunca param limpo'', reforça o aposentado Manoel Martinez, que reside em frente ao ponto de descarte do Conjunto Cafezal I (Zona Sul).
Todos os entrevistados fazem coro quanto ao desejo de ver os ecopontos transferidos para áreas bem distantes de suas residências. ''Quando criaram estas áreas, o pessoal da prefeitura prometeu que seriam locais organizados, mas isso nunca aconteceu. Tratam-se de lixões sem organização nenhuma e que nunca poderiam ter sido instalados próximos de residências. Melhor seria se eles fossem instalados em áreas rurais mais afastadas, para não prejudicar ninguém'', argumenta o aposentado José Claret, que reside próximo ao ecoponto do Jardim Califórnia (Zona Leste).


