O volume de lixo depositado nos antigos ecopontos em Londrina impressiona qualquer um: pneus, móveis velhos, restos de construção, louças, latas, colchões e galhadas são apenas alguns exemplos. Toneladas de materiais que se avolumam, criando um passível ambiental de difícil solução para o poder público que não tem local apropriado para destinação desses resíduos.
Os ecopontos foram criados durante a última administração para tentar solucionar um antigo problema, o descarte irregular de lixo. Pela ideia inicial, os diferentes tipos de materiais seriam depositados num mesmo lugar e segregados, para facilitar a metodologia de reaproveitamento. O lixo só poderia ser descartado por carroceiros ou pequenos geradores – o volume não poderia ultrapassar um metro cúbico por pessoa.
Porém, o modelo não trouxe resultado eficaz e os ecopontos tornaram-se sérios problemas de saúde pública. Sem controle ou fiscalização, os locais passaram a ser frequentados até por grandes geradores. O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) chegou a fechar as sete unidades criadas pelo poder público. Atualmente, apenas três locais receberam licenciamento ambiental para funcionamento.
Enquanto essa administração não encontra uma saída, o lixo vai se acumulando nos ecopontos. "Eles (servidores públicos) pegam apenas os galhos, o resto deixam. As máquinas apenas acumulam o lixo aqui, que vai ficando", argumentou o carroceiro Giuliano Custódio de Oliveira, que frequenta o antigo ecoponto do Jardim Santo André (zona oeste).
O local é frequentado por muita gente, um vai e vem constante de carros e carroças. O lixo gera renda para muita gente, desde catadores que ficam horas garimpando até empresas de reciclagem. Rafael Rocha Pelais, proprietário de uma indústria que produz tijolos ecológicos feitos com restos de construção, visitou um ecoponto na zona oeste e constatou que "90% (desse lixo) não precisaria estar aqui, poderia ser reutilizado pela indústria."

Reutilização
A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) faz estudos para reutilização do resto de construção civil. "Estamos fazendo levantamento e pedindo de anuência do IAP para recuperar locais degradados pela chuva, voçorocas e estradas rurais. A ideia é triturar esse material de construção e reutilizá-lo", explicou o diretor de Operações da CMTU, Gilmar Domingues.
Ele se mostrou preocupado com o acúmulo de lixo nos ecopontos. "Daqui a pouco começam as chuvas e há o risco de disseminação da dengue", salientou.
A CMTU promete lançar ainda nesta semana licitação para aquisição de materiais para implantação do Posto de Entrega Voluntária (PEV), modelo idealizado por esta administração em substituição aos ecopontos. Os valores não foram adiantados.
Esta é uma das etapas para implantação do programa Lixo Zero. Pelo projeto, o PEV seria um espaço público cercado e composto por várias baias para despejo de resíduos entregues por pequenos geradores. As pessoas seriam cadastradas e outra novidade é que o descarte nesses pontos seria controlado por agentes públicos.
Os diferentes tipos de materiais seriam destinados a empresas que promovem a reciclagem ou reutilização. "Todos os resíduos seriam segregados facilitando nosso sistema de gerenciamento", explicou. "Este posto funcionaria no Jardim Nova Conquista (zona leste). O IAP deu autorização ambiental para implantar esse modelo, estamos finalizando a parte orçamentária para colocar em funcionamento o quanto antes", afirmou.
A promotora de Defesa do Meio Ambiente, Solange Vicentin, também demonstrou preocupação com a situação atual dos antigos ecopontos. "Daqui a pouco, a prefeitura pode ser autuada por crime ambiental, despejo irregular de resíduos", ameaçou.

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