Ecopontos ainda incomodam moradores
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segunda-feira, 25 de março de 2013
Fernanda Carreira<br>Reportagem Local 
Dois meses após um mutirão de limpeza realizado por funcionários da Prefeitura de Londrina nos sete ecopontos, dois locais que deveriam receber apenas podas de árvores e entulhos de construção de pequenos geradores, continuam incomodando os moradores. Localizados nas zonas leste e oeste, os ecopontos funcionam mais como depósito de lixo a céu aberto.
"Está uma bagunça aqui. Algumas pessoas arrancaram o cercado e agora o pessoal joga de tudo. É lixo doméstico, com cascas e restos de alimentos, papel higiênico, móveis, roupas, pneus, material descartável", enumera o funcionário público Marcos Luiz dos Santos, se referindo ao ecoponto localizado no Jardim Nova Conquista (zona leste).
Santos, que é presidente da associação de moradores do bairro, detalha que já surpreendeu várias pessoas abandonando o lixo no entorno do ecoponto e ateando fogo. "Sem ninguém para fiscalizar, eles colocam fogo mesmo e o cheiro que fica é horrível. Invade a casa da gente, deixa tudo sujo com a fuligem. Meu marido e meu filho chegam a passar mal", confirma a confeiteira Gláucia Alves Secci, que é vizinha do ecoponto há três anos.
No ecoponto localizado na Rua Oseas Frutuoso, no Jardim Santo André (zona oeste), implantado também há cerca de quatro anos, os vizinhos reclamam da falta de fiscalização. Indignados, alguns deles afirmam que a única solução é a desativação do espaço.
"É uma vergonha a situação que está isso aqui e chega a desanimar quem paga os impostos direitinho. Seria melhor que tirassem mesmo", opina a dona de casa Marli Cabecioni, moradora do bairro há 12 anos. "Imagina a nossa situação, às vezes estamos almoçando ou jantando e vem aquele cheiro horrível de lixo queimado, animal morto. Não tem mais condições."
A babá Maria de Fátima Gomes da Silva, vizinha de Marli, explica que já percebeu o aumento do número de baratas, ratos e insetos em sua casa. "Esses dias, eu e minha filha estávamos comentando onde ela ficaria após ganhar o bebê, porque não tem condições de ela ficar aqui em meio a essa sujeira", disse.
Limpos
A reportagem também esteve nos ecopontos das ruas Ana Rodriguez, Conjunto José Giordano (zona norte), Alvizio Jarreta, Conjunto Cafezal (zona sul). Nos dois espaços não houve mais depósito irregular de lixo. No ecoponto da zona sul, os vizinhos comentaram que o problema diminuiu bastante, após as atividades iniciados pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Para que a situação fosse, de fato, solucionada, eles opinam que precisaria ser realizado um trabalho de conscientização ambiental.
"O ecoponto não é uma ideia ruim, o problema é que ninguém sabe como utilizar direito. Talvez se começassem com uma campanha educativa, visitando os moradores, realizando palestras, orientando, os moradores mudariam seu comportamento e ajudariam a fiscalizar também.", destaca o supervisor de produção Luciano Vitorino, morador do bairro há cinco anos.
Compartimentos
O diretor de Operações da CMTU, Gilmar Domingues, reconheceu que a situação dos ecopontos é um problema grave da cidade e adiantou que a companhia está desenvolvendo um projeto diferenciado do modelo já adotado. Pela proposta, o lixo será recepcionado em compartimentos específicos, o que facilitará o trabalho de coleta e promoverá mais agilidade na limpeza dos locais. No entanto, o modelo será apresentado daqui há um mês e, segundo ele, ainda não poderia ser detalhado.
"Acreditamos que a solução esteja nesse projeto de disponibilização do lixo de forma segregada em baias de separação, mas ainda estamos na etapa de desenvolvimento", disse Domingues, acrescentando que enquanto isso a CMTU tem intensificado os mutirões de limpeza, fiscalizado o depósito irregular e promovido ações de conscientização ambiental desde o início do ano.
Quem for pego fazendo descarte irregular, seja no ecoponto ou não, será autuado de acordo com o Código de Posturas do município, e cuja multa varia de R$ 60 a R$ 3 mil para pequenos geradores. Cabe ainda dentro de cada situação, a aplicação de penalidades conforme a lei de crimes ambientais.


