Quase quatro anos após o anúncio de que Londrina contaria com diversos ecopontos (locais para o descarte de podas de jardinagem e entulhos de construção de pequenos geradores), visando a limpeza da cidade, o que se vê atualmente é a dificuldade de manter a logística destes espaços.
Os ecopontos constantemente são alvo de reclamações de moradores, incomodados pela falta de manutenção e fiscalização. "A gente não respira direito. Morar perto desse ecoponto é conviver com o mau cheiro e fumaça todos os dias", desabafa a vendedora Sandra Maria dos Santos, moradora do Conjunto Cafezal I, na zona sul.
Sandra é vizinha do ecoponto implantado há dois anos na Rua Alvizio Jarreta e afirma que muitos populares ateiam fogo nos galhos. "Além disso, vem gente de todos os cantos, inclusive caminhões para jogar entulhos aqui."
Vânia Félix de Souza, moradora do bairro há oito anos, revela que é rara a limpeza do local. "A gente não vê um caminhão recolhendo o lixo. Não existe manutenção. Hoje eles estão aqui porque nós reclamamos", alega Vânia, que junto a outros moradores cobrou uma providência dos órgãos competentes. Ontem pela manhã, funcionários da prefeitura realizavam o recolhimento dos materiais.
O diretor de Operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Gilmar Domingues, que esteve no ecoponto na manhã de terça-feira, conversou com os moradores e afirmou que a limpeza teria um prazo mais curto. "Ele disse que toda sexta-feira o caminhão estará aqui para limpar e nós vamos cobrar", ressalta Vânia.
Domingues diz que a iniciativa é muito boa, mas admite que os ecopontos não funcionam como deveriam. "Ficamos perplexo com a quantidade de lixo. Tem resíduos de todas as categorias, inclusive doméstico. O propósito do ecoponto é recepcionar até oito metros cúbicos, que equivale a oito carriolas, de resíduos de jardinagem e construção. Como isso não está acontecendo, temos que fazer um trabalho de gerenciamento", comenta.
De acordo com Domingues, o primeiro passo será intensificar a fiscalização. Ele planeja rondas de hora em hora dos agentes da companhia. Junto a isso, ressalta a diminuição do prazo de limpeza. "Temos que redimensionar um organograma para priorizar os pontos em situação mais crítica. Por exemplo, no Cafezal I, o ideal é uma limpeza semanal", diz.
Por último, Domingues cita as campanhas de conscientização em parceria com a Secretaria de Ambiente (Sema). Ele defende o desenvolvimento de um programa de educação ambiental. "A população deve entender que, além dos gastos da estrutura do município para limpar esses locais, o descarte irregular propicia a proliferação do Aedes Aegypti e outras doenças e tem também o fator da cadeia ambiental. É uma questão de responsabilidade", salienta.
Quem for pego fazendo descarte irregular, seja no ecoponto ou não, será autuado de acordo com o Código de Posturas do município, que varia de R$ 60 a R$ 3 mil para pequenos geradores. Cabe ainda dentro de cada situação, a aplicação de penalidades conforme a lei de crimes ambientais, onde os valores podem ser ampliados para milhões.
Em agosto de 2009, quando foi anunciada a implantação dos ecopontos, a meta do município era atingir 15 espaços. Hoje, está descartada a criação de mais áreas. "O importante é dar um uso correto para esses que existem. Vamos rever a metodologia", afirma.

Londrina possui sete ecopontos:

Zona Norte:
Rua Francisco Merlos, no Jardim Primavera
Rua Ana Rodriguez, no Conjunto José Giordano

Zona Leste:
Rua Antônio Luciano, no Jardim Nova Conquista

Zona Oeste:
Rua João Capelo, no Jardim Abussafi
Rua Serra dos Pirineus, no Jardim Bandeirantes
Rua Oseas Furtuoso, no Jardim Santo André

Zona Sul:
Rua Alvizio Jarreta, no Conjunto Cafezal I

mockup