De longe, o que se via era uma imensa nuvem de fumaça. De perto, muito lixo queimado e uma grande quantidade de móveis, roupas, calçados, eletrodomésticos e embalagens diversas. Tudo espalhado pela calçada e a céu aberto. O Ecoponto do Residencial Abussafe (zona leste de Londrina), que deveria ser destinado à armazenagem ecologicamente correta do lixo, transformou-se mais uma vez em um verdadeiro caos, porque atearem fogo nos resíduos. Segundo os moradores, as chamas se alastraram no início na manhã de domingo e até ontem à tarde o problema persistia.
"Mal conseguíamos respirar com tanta fumaça. O nariz ardia, os olhos queimavam e a casa era pura fuligem hoje (ontem) cedo", contou a cozinheira Joanir Maria, que há cinco anos mora na Rua Ali Ibraim Camar, uma quadra acima do ecoponto. "O pior é que essa não é a primeira vez que acontece isso, já colocaram fogo outras vezes e ninguém faz nada."
A dona de casa Iris Cristina Malek é moradora da mesma rua e detalha que, além dela, que sofre com rinite, a fumaça foi prejudicial ao filho Marcos Alexandre, que tem apenas 45 dias. "Ele já sofre com o tempo seco, imagina como ele ficou com toda essa fumaça? Fiquei com o coração partido de vê-lo sofrendo", afirmou.
"Agora, eu estou melhor, mas acordei com muita dor de cabeça e a garganta seca. Uma sensação horrível. Já estamos cansados disso e queremos uma solução", afirmou a dona de casa Maiara de Meira, que mora há 10 anos no bairro.
Os sete ecopontos de Londrina, incluindo o do Abussafe, foram fechados no início de abril, após indeferimento de licença pelo Instituto Ambiental do Paraná, por estarem recebendo o descarte de lixo comum. Essas unidades foram projetadas, na última administração municipal, para receber exclusivamente entulhos de construção e podas de árvore. Caso não fechasse esses espaços, a prefeitura não teria para onde encaminhar os resíduos e poderia ser responsabilizada criminalmente.
Depois, três ecopontos – do Jardim Nova Conquista (zona sul), Gleba Primavera (zona norte) e do Jardim Santa Rita 5 (zona oeste) – foram reabertos a pedido dos carroceiros. O ecoponto do Abussafe está fechado, mas o despejo de resíduos continua fora do limite. É fácil encontrar lixo de todo tipo espalhado pelas ruas e calçadas do bairro.
Segundo o diretor de Operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Gilmar Domingues, ontem à tarde foi usada uma pá escavadeira para revolver todo o lixo e, assim, apagar todos os focos do incêndio. Após finalizado o rescaldo, o material será segmentado e destinado à Central de Tratamento de Resíduos (CTR) e cooperativas.
Domingues adiantou que ainda não existe nenhum projeto de transformação deste ecoponto em um Ponto de Entrega Voluntário de Resíduos (PEV), como os que serão construídos no Nova Conquista, na Gleba Primavera e no Santa Rita 5. O local deve permanecer fechado, sem prazo para ser reaberto.

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