Londrina - Cinco meses após os ecopontos terem sido criados em Londrina o cenário nos bairros escolhidos para a implantação não é dos melhores. O trabalho faz parte do Programa Cidade Limpa, realizado pela prefeitura. Mas a população tem se deparado diariamente com outra realidade. Sofás velhos queimados, garrafas quebradas, lixo doméstico acumulado com restos de construção civil. As placas de alerta para a população em alguns pontos foram arrancadas e muitos não respeitam o local onde o lixo deve ser depositado. Os entulhos não ficam apenas nos Ecopontos e sim espalhados por toda rua.
A reportagem da FOLHA visitou três ecopontos, localizados nas zonas Sul, Leste e Oeste e constatou o abandono e a falta de manutenção por parte da prefeitura. A artesã Jaina Concimo, moradora do Jardim Nova Conquista, Zona Sul, reclama da falta da fiscalização. ''O povo vem aqui à noite e joga entulhos, lixo doméstico, móveis. A prefeitura vem e limpa, mas em uma semana está assim, horrível'' enfatiza.
Segundo a artesã, já houve uma associação de moradores disposta a acabar com aquele depósito de lixo - antes dos ecopontos serem criados - mas não adiantou. ''Minha casa desvalorizou muito. E pior que os moradores não têm consciência, eles jogam tudo o que querem nesse terreno'' destaca Jaina.
Alice Sandoval Ferreira, dona de casa, mora na Zona Oeste, e disse que o problema do lixo no bairro é antigo. ''O pessoal se acostumou a jogar de tudo aí, lixo comum, animais mortos, entulho de construção. Mesmo que vier a prefeitura e tentar arrumar fica difícil. Ninguém respeita as placas. Teria que ter um jeito de fiscalizar'', declara.
O jardineiro José Alves de Oliveira, morador do Nova Conquista (Zona Sul), acha o Ecoponto ''uma beleza''. ''Se não tivesse esse lugar onde eu ia jogar os restos de grama e galhos que eu corto quando trabalho?''
Segundo Agnaldo Rosa, assessor da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), é exatamente esse o objetivo dos locais escolhidos pela prefeitura para o descarte de lixo. ''O ecoponto serve para aquele pequeno gerador de lixo, que produz pequena quantidade de entulho e não tem condições de alugar uma caçamba para o transporte dos resíduos'', declara.
Ainda segundo Rosa, grandes empresas que jogarem lixo nesses locais podem ter seus caminhões apreendidos e responderem por crime ambiental. ''Não é justo usar dinheiro público para transportar lixo de empresas que podem pagar por isso'', afirma.
O lixo recolhido nos cinco Ecopontos são distribuídos à cooperativas de reciclagem que lavam e prensam o material que pode ser reaproveitado. O que é orgânico é levado para o aterro sanitário. Segundo ele, todo o entulho é retirado mensalmente ou conforme o volume de lixo.
O assessor também declarou que as placas que foram retiradas dos ecopontos serão recolocadas. ''Os moradores reclamam e nós sabemos que existem problemas, mas estamos trabalhando para que fique cada vez melhor.''

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