Economista dá dicas para sair do endividamento
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quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Vítor Ogawa <br> <br> Reportagem Local 
Uma pesquisa da Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo aponta que em julho deste ano o percentual de famílias endividadas no Brasil é de 57,6%, que 21% das famílias estão com contas em atraso e que 7,3% das famílias não terão condições de pagar essas dívidas. Diante desse quadro resta à população aprender a lidar melhor com o seu orçamento, seguindo a receita básica de não gastar mais do que ganha.
O quadro é preocupante e têm sido o fator para que as taxas de juros no Brasil sejam as maiores da América Latina, com uma taxa média anual de 323,4% contra 55% ao ano do segundo colocado, que é o Peru. O professor de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Renato Pianowski de Moraes ministrou ontem uma palestra durante a Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho da Folha de Londrina para dar dicas sobre educação financeira e sobre como evitar esse nível de endividamento.
Segundo Pianowski, na cidade já existem grupos de devedores anônimos, compostos por pessoas que possuem oneomania, ou seja, prazer em comprar. O primeiro passo é admitir que possui um problema e evitar realizar compras. Ele explicou que em linhas gerais o orçamento deve ser dividido da seguinte forma: habitação (25%), alimentação (25%), transportes (8%), vestuário (10%), saúde e higiene (15%), lazer (7%), poupança e impostos (10%).
''Se a família estiver endividada, deve ser feita uma reunião familiar e mostrar a situação. Isso pode ser feito inclusive com crianças a partir de quatro ou cinco anos de idade'', explicou.
Para tentar sair da situação ele explicou que uma das formas é recorrer a empréstimos familiares, que não possuem os juros extorsivos de bancos e recomendou fugir dos agiotas, que chegam a cobrar taxas absurdas de até 15% ao mês. Outra solução interessante é a criação de grupos de tanomoshi, costume japonês de reunir grupos de amigos que contribuem mensalmente com uma quantia determinada e que o total mensal é sorteado entre os participantes, como se fosse um consórcio, mas sem a taxa de administração e sem os juros.
O economista aconselha que as pessoas realizem sempre pesquisas de preços e não tenham vergonha de levar calculadoras para o supermercado. ''Existem aquelas promoções que comercializam dois produtos diferentes pelo preço de um, mas será que a pessoa precisa do produto que vem junto?'', questionou. Quando for realizar compras solicitar sempre descontos para o pagamento à vista e perguntar se o produto é vendido em três ou quatro prestações pelo preço à vista. Sobre o parcelamento de dívidas, ele explica que um valor de R$ 1200 pode ser transformado em R$ 1800, o que não é nada vantajoso para o cliente. ''Evitem pagar contas com cartão de crédito, pois há uma taxa de uso de cerca de 3,5% e que pode se transformar em uma bola de neve'', advertiu.
Para as compras de vestuário, ele recomenda que a pessoa adquira as peças no final da estação e opte sempre por modelos sóbrios de cores neutras. Sobre o conserto de eletrodomésticos, ele afirmou que se o valor para consertá-lo for igual ou superior a 30% de um produto novo, o recomendável é descartar o produto quebrado e adquirir um novo, já que os mais novos geralmente possuem garantias de fábrica e alguns podem ter selos de eficiência de energia, ou seja, podem ser mais econômicos que o produto velho.
A aquisição de um carro também foi abordada durante a palestra. ''Um carro é como se fosse uma nova família. Você tem despesas com IPVA, combustível, troca de óleo, seguros, estacionamento. É preciso saber se a pessoa precisa mesmo do veículo. Se morar perto do trabalho, não há necessidade'', explicou.



