De forma tímida, projetos da Economia Solidária vem ganhando espaço no Distrito de Guaravera, na zona sul de Londrina. Maria Celina Manuel Okawa, de 70 anos, e Rosilei Kubota, de 42, por exemplo, colocaram em prática as lições de corte e costura aprendidas em um curso oferecido pela Prefeitura em 2011 e montaram a confecção "Corpo e Movimento", especializada em roupas para ginástica. A pequena fábrica foi montada numa salinha nos fundos da capela mortuária da localidade.
O convite para a empreitada chegou às moradoras de Guaravera durante as aulas de alongamento e eles aceitaram rapidamente, pois sempre tiveram habilidades manuais. Celina sabe fazer crochê e bordado, sempre costurou roupas para os filhos e o marido e Rosilei também já se virava com a máquina de costura. Pelas fotos que posta no Facebook, arrasa nos tapetes de barbante, nos casaquetos para a neta Manu e nunca precisou levar uma calça para alguma costureira fazer a barra.
Com o espaço, o professor e as máquinas oferecidas pela Prefeitura, as alunas se encheram de disposição. "Foram 40 horas de aulas, durante quatro sábados e, para não perder tempo, o almoço era aqui mesmo", recordam. Das quatro alunas, só ficaram as duas. "Aprendemos a usar interloque industrial e galoneira", complementam.
Apoiando uma a outra, as duas parceiras resistem para manter a "Corpo e Movimento" produtiva. Elas produzem calças e bermudas de suplex e coton. Cada bermuda é vendida por R$ 20,00 e a calça sai por R$ 40,00. "O valor foi a própria Economia (grupo que coordena a Economia Solidária) que passou para a gente. Tem que somar horas trabalhadas, tecido, linha e elástico", explicam. "Dependemos de encomendas e vendemos mais aqui em Guaravera do que na loja que fica em Londrina", contam.

Na ponta do lápis
Mesmo com uma rotina cansativa, Celina não pensa em parar. Ela faz fisioterapia duas vezes por semana em Londrina, alongamento uma vez por semana e trata da artrite reumatoide. "Mas eu não esqueço esse cantinho. Pode estar chovendo que eu estou aqui toda quinta. Eu me sinto bem aqui, esqueço de tudo e fico muito feliz com cada peça que faço. Uma sempre pede aprovação da outra e isso dá muita satisfação. Com isso, nossas roupas têm corrido o Brasil. Já levaram para Curitiba, Rondônia, Rio de Janeiro", cita.
Rosilei comenta que já foram feitas quatro divisões dos lucros. "É pouquinho, mas já ajuda", valoriza a empreendedora, que leva tudo na ponta do lápis. "Já pensei em desistir. Trabalho em Londrina, cuido de casa, mas a dona Celina me incentiva e venho no dia que tenho livre", completa.
De acordo com Olavo Aparecido da Costa, integrante do Centro Público de Economia Solidária, essas ações de incentivo fazem parte do Programa Municipal de Economia Solidária. O objetivo é capacitar, orientar e aperfeiçoar habilidades. "As técnicas têm um trabalho contínuo tanto nos distritos como na cidade e estamos abertos para receber mais interessados", explica. Para auxiliar as alunas, além da professora, a Prefeitura fornece também os materiais – no caso tecido, linha e elástico - para iniciar a produção.
Serviço: O Centro Público de Economia Solidária fica na Avenida Rio de Janeiro, 1.278, esquina com a avenida J.K., fones (43) 3378-0577 e 3378-0434.

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