Silvana Leão
De Londrina
Os amigos estranham, nunca entenderam por que Eduardo Lobato, de 17 anos, só vai para o trabalho de bicicleta. O que o rapaz faz com os vales-transporte que recebe sempre foi um mistério para os que o conhecem. Alheio às indagações, ele perseguiu seu objetivo, tornando-o público somente ontem, ao doar uma cadeira de rodas comprada com os R$ 140,00 economizados em passagens de ônibus.
Quem vai receber o equipamento é o garoto Guilherme Rosseto, de seis anos, vítima de paralisia cerebral. Guilherme frequenta a Asssociação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Londrina e é criado pela avó, que o carrega nos braços ou em um velho carrinho de bebê, já desproporcional para o seu tamanho.
Eduardo Lobato, que trabalha há quatro meses na lanchonete McDonald’s do Catuaí Shopping Center, teve a idéia de colaborar para amenizar o sofrimento de alguém motivado pelo sentimento de mudança que ronda a entrada de um novo milênio.
Ganhando menos que os R$ 140,00 usados para a compra da cadeira, Eduardo Lobato nunca teve dúvidas quanto à destinação do dinheiro. Nem o roubo de seu salário por um colega de trabalho, no início do mês, o fez mudar de idéia. ‘‘Hoje eu enxergo esta contribuição como um dever’’, revela o rapaz, que cursa o 2º colegial na parte da manhã e trabalha uma média de sete horas por dia.
Para chegar ao shopping, Eduardo – que mora no centro da cidade –, tem que pedalar cinco quilômetros. Ele se refaz do longo trajeto lavando o rosto e esperando alguns minutos, antes de começar a atender o público.
Nos últimos meses, seus planos não foram revelados nem à mãe, que estranhou quando a loja entregou a cadeira de rodas em sua casa. ‘‘Não gosto de ficar falando. Só estou divulgando minha iniciativa na esperança que outros jovens se motivem a fazer alguma coisa, simples que seja.’’

mockup