Economia deve ser a prioridade
O uso racional de recursos naturais é bandeira defendida pelo jornalista Washington Novaes. Segundo ele, o consumo mundial é hoje 20% superior à capacidade de recuperação da biosfera, o que geraria um déficit crescente de bens como a água. ''A prioridade é economizar e reciclar'', diz.
Segundo Novaes, o déficit tomou proporções maiores nos últimos 40 anos, quando países como o Brasil passaram por explosões demográficas. ''Desde 1960, o Brasil teve acréscimo populacional de 108 milhões de habitantes, sem que as condições para suporte deste crescimento se ampliassem. Os tempos sempre foram de finanças públicas falidas e a privatização, que é vista como alternativa, pode piorar ainda mais este quadro. As camadas mais carentes da população não têm condições de bancar os custos das concessões e ao mesmo tempo não podem ficar ser serviços como o de saneamento'', destacou.
Novaes também citou números que, segundo ele, reforçam a necessidade de investimentos em políticas como a de reciclagem. ''O Brasil produz 290 mil toneladas de lixo por dia e mais da metade disso vai para os lixões, sem passar por nenhum tipo de triagem. Os custos anuais gerados por este volume chegam a R$ 2 bilhões, sem levarmos em conta que quase nenhum município do País tem fundos específicos para este fim'', disse.
Em Londrina, 30% do lixo produzido diariamente (cerca de 360 toneladas) é reciclado, com o apoio de organizações não-governametais. A meta, de acordo com o presidente da CMTU, Gabriel Ribeiro de Campos, é chegar a 50% do total do lixo produzido em cinco anos, colaborando inclusive para o aumento do tempo de vida útil de um novo aterro sanitário, para o qual a companhia aguarda liberação prévia do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). ''A liberação deve ocorrer em maio e a partir daí vamos promover uma audiência pública para definir a área para o novo aterro'', explicou.
Já o Paraná, de acordo com o secretário estadual de Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida, contabiliza 181 lixões irregulares. A expectativa do secretário é de que o Programa Desperdício Zero aumente o interesse dos prefeitos pela regularização destes lixões e por políticas de reciclagem de lixo. ''A meta é transformar estes lixões em aterros e reduzir em 30% o volume de lixo produzido no Estado, que hoje chega a 20 mil toneladas/dia.''





