Cerca de 70% da economia do bucólico distrito de Pirapó, município de Apucarana, depende diretamente do êxito da atividade que sustenta a maioria das famílias do lugar. São 3.500 moradores na área urbana – mais 1.500 na zona rural –, onde 110 famílias sobrevivem da renda de caminhoneiros, a maioria autônomos que prestam serviços para empresas ou transportadoras.
Se a atividade vai bem, o comércio e as pequenas indústrias locais também sentem os reflexos positivos. ‘‘Se a coisa não anda boa para eles, o comércio daqui também sofre junto’’, garante Cid Morial, proprietário de uma lanchonete e radicado há 56 anos no distrito de Pirapó.
Edimar Manosso, vice-presidente da Associação dos Caminhoneiros de Pirapó, conta que Pirapó teve seu desenvolvimento alavancado pela cafeicultura. Porém, ele lembra que, ‘‘a febre’’ de trabalhar com caminhão começou no final dos anos 60, quando Apucarana era um dos maiores centros de comercialização de feijão do Brasil, e mandava muita carga para o Nordeste.
Segundo Pedro Dante, atual presidente da associação, que congrega mais de 100 caminhoneiros, ‘‘de lá para cá a profissão passou de pai para filho e até para neto’’. Ele cita o seu próprio exemplo, revelando que seu filho e seu genro também trabalham com caminhões.
‘‘Temos aqui famílias em que o pai e três filhos são caminhoneiros e também situações tristes em decorrência da profissão, em que o pai-caminhoneiro perdeu dois filhos e um ficou praticamente inválido, todos em acidentes nas estradas, trabalhando como caminhoneiros’’, conta Dante.
Com relação à mobilização deflagrada dias atrás pela categoria, os dois concordam que pouco ou de quase nada valeu a greve. ‘‘Ficamos frustrados com a desunião dos caminhoneiros. Nós não precisávamos ficar nas estradas ou pátio de postos de gasolina parando os colegas, bastava que eles não saíssem de casa, mas isso não aconteceu’’, avaliam eles.
Para Pedro Dante o vale-pedágio não foi uma boa conquista, ‘‘era preciso que fosse reduzido o preço das tarifas de pedágio’’. Segundo ele, alguns caminhoneiros começaram a receber o vale-pedágio, mas as transportadoras já falam em baixar o preço do frete. ‘‘De todo o jeito quem paga o pato é o caminhoneiro autônomo’’, opina Dante.
Edimar Manosso, de 63 anos, que ainda faz ‘‘carretos’’ pela região, dirigindo um Ford F-8, ano 1950, não concorda com a privatização das estradas paranaenses. ‘‘Esse pessoal ganhou as rodovias de presente, só pintam faixas e roçam as laterais’’, diz ele, questionando as duplicações anunciadas há três anos. ‘‘O preço do pedágio é muito alto, não dá para trabalhar desse jeito’’, conclui o caminhoneiro veterano.

mockup