Economia Água pode custar de R$ 0,003 a R$ 2,00
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segunda-feira, 31 de março de 2008
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Todo mundo sabe que a água é um recurso natural abundante na superfície terrestre e essencial para a vida no planeta. E, embora imprescindível para a sobrevivência humana, não são todos os que têm acesso a ela. Quem tem, ainda precisa pagar por isso. Mas, afinal, qual é o preço que pagamos pela água? É justo pagar por ela?
R$ 1,00 a garrafa de 500 ml. Este é o preço, em vários estabelecimentos de Londrina, da água mineral. Porém, se a garrafa for de um, dois ou cinco litros, o preço por ml diminui drasticamente - o que dá a entender que o preço é mais devido à embalagem do que ao conteúdo. Já se o consumidor quiser comprar um garrafão de 20 litros, vai desembolsar R$ 5,00 na cidade - o que dá R$ 0,25 o litro. ''Cinquenta por cento do preço da água são imposto. Outros 50% são o custo da embalagem. A água nem entra no custo'', explica Robson Batistão, um dos proprietários de uma envasadora de Rolândia, acrescentando que a garrafinha de meio litro sai da empresa com custo de R$ 0,37.
Analisando-se a taxa pelo consumo mínimo, pela Sanepar, que é de R$ 16,35, mesmo a água encanada não é cobrada, e sim o serviço. O valor corresponde a até 10 metros cúbicos, o que equivale a 10 mil litros do líquido. Acrescentando-se a taxa de esgoto, o valor sobe para R$ 29,43. Ainda assim, isso significa que o litro de água tratada não chega a custar R$ 0,003 ao consumidor que tem esgoto em casa. Ou seja, é preciso usar mais de três litros para se atingir o valor de um centavo.
''A Sanepar foi criada com o intuito de promover a saúde pública. Não comercializamos a água, mas cobramos pelos serviços prestados'', esclarece Sérgio Bahls, gerente-geral da Sanepar na região metropolitana de Londrina. A empresa disponibiliza ainda a tarifa social da água (R$ 7,50 o consumo de 10 metros cúbicos de água mais esgoto) para famílias carentes.
Bahls explica que a maior despesa em relação ao tratamento de água e esgoto é referente à energia elétrica. Além disso, há os gastos com pessoal, produtos químicos e investimentos em estrutura. ''Temos 2,5 mil quilômetros de rede de água, sendo 140 com mais de 30 anos, para os quais estamos planejando uma substituição'', exemplificou.
Mas a água pode ser até gratuita. Em Londrina, quem quiser pode encher um garrafão com água tratada em uma bica em frente ao Iapar, e aí não é preciso pagar nada. Segundo informações da assessoria de imprensa do instituto, a água é originária de um poço profundo, e começou a ser disponibilizada dessa forma depois que várias pessoas começaram a pegar a água sem pedir, de uma torneira que ficava próxima à cerca.
Embora esteja estipulado um limite de 40 litros por pessoa, não há fiscalização para garantir que a determinação seja cumprida. Isso fica a cargo, então, da honestidade de cada um. A responsável técnica pela água recomenda, porém, higienizar bem a embalagem (com água sanitária), consumir a água rapidamente (em no máximo 7 dias) e filtrá-la antes de beber.
Em residências e condomínios que dispõem de poços profundos (diferente de poço artesiano, onde a água brota naturalmente) também a água não é cobrada. Nestes casos, é cobrado apenas o esgoto, calculado sobre 80% do consumo mensal do poço. Quando o condomínio tem o sistema de ligação de água da Sanepar, também é cobrada a taxa de consumo mínimo. Segundo Bahls, a cidade tem cerca de 200 poços profundos em condomínios verticais.
Assim, pelo menos em Londrina, é difícil encontrar quem pague pela água em si; a maioria paga pelo serviço de tratamento, distribuição, envase e impostos. Agora, se esses elementos têm preços justos é uma questão para uma outra matéria.


