Ecologistas são contrários à incineração
Especial para a Folha
Com máscaras cirúrgicas no rosto, integrantes de entidades ambientalistas e o Fórum Popular de Saúde realizaram, ontem , em Curitiba, um protesto contra a forma que é feita a incineração do lixo hospitalar na cidade. Eles ficaram concentrados no pátio do Hospital Oswaldo Cruz, onde o caminhão incinerador da prefeitura passa às quintas-feiras.
As entidades afirmam que a incineração é feita de forma irregular. As caixas com o material tóxico não estão devidamente identificadas. Se o volume queimado ultrapassar cinco quilos, a queima não é completa e pode estar liberando substâncias como a dioxina, contaminando todo o ar da cidade, protesta Sarah de Azevedo, da Associação Xama de Proteção Ambiental. A dioxina pode causar câncer, deformação genética, impotência sexual e distúrbios sensoriais.
Os manifestantes também dizem que a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SEMA) está realizando um número muito pequeno de exames de amostras da fumaça que sai dos incineradores. Nos dois anos de operação do equipamento foram feitos quatro exames. A secretaria responde que a quantidade de exames foi prevista no estudo de impacto ambiental do Instituto Ambiental do Paraná e que os incineradores não representam perigo para a população. Está tudo funcionando dentro das normas. Dois dos quatro exames foram analisados em laboratórios no exterior e com os resultados nós conseguimos a renovação da licença, fornecida pelo IAP para continuar queimando o lixo hospitalar, afirma Marilsa Oliveira, diretora do Departamento de Pesquisa e Monitoramento da SEMA.
O material queimado consiste em bolsas de sangue, placenta humana, restos de remédio e seringas. Em Curitiba, a prefeitura é responsável pelo processo de incineração em sete hospitais. Segundo Marilsa, os fiscais da SEMA foram orientados para devolver à administração dos hospitais as caixas com material tóxico que não estiverem devidamente identificadas. Os técnicos da secretaria e o Fórum Popular de Saúde farão uma visita aos sete hospitais, no dia 6 de julho, para verificar a separação do lixo tóxico.O risco potencial é de liberação de substâncias como a dioxina, que provoca câncer, impotência sexual e deformação genética
José SuassunaMascaradosAmbientalistas protestam contra queima de lixo no pátio dos hospitais na região central da cidade, com emissão de gases tóxicos que poluem o ar





